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Hoje, 17 de maio, é o Dia Internacional da Reciclagem?

Esse é o Alex Cardoso, parceiro antigo de lutas Brasil afora, integrante do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis. 

Alex vem mandar um papo sobre a situação da reciclagem no Brasil durante a pandemia.

Por aí, muita gente dizia que hoje era o Dia Internacional da Reciclagem, instituído pela UNESCO. No entanto, essa informação não procede. Esse dia não consta no calendário internacional de datas da UNESCO, mas…

Existe um dia específico para falarmos da importância da reciclagem na vida urbana? Não! 

Pelo contrário, temos que falar disso todos os dias, afinal, comemos, bebemos, abrimos embalagens em geral (quase) todos os dias e, adiante, as descartaremos. Alguns mais, outros menos. E como elas são descartadas por nós? Para onde elas vão? Quem as leva a esse destino final?

Ontem, foi o dia do Gari e falei um cadinho sobre parte desse processo de ‘sumidouro’ do nosso lixo, mas…lixo evapora? Some? Não. Por isso é fundamental falarmos de reciclagem e entendermos um cadinho mais desse processo fundamental para a vida na nossa cidade, em qualquer cidade.

Parte pequena do mercado, mas com alto poder econômico e político, com desejo exclusivo de obtenção de lucro, deseja que queimemos nosso lixo. Incineremos! No entanto, a incineração, ou qualquer outro nome bonito, técnico e chamativo que queiram dar a esse processo, e têm dado, é extremamente nociva à saúde humana, ambiental, urbana. Essa nocividade é ainda maior no Brasil onde é sábido que temos leis pemissivas à destruíção ambiental e menos ainda fiscalização eficiente. Mas…Se tívessemos leis e fiscalização poderíamos incinerar? Não! A incineração tem sido abandonada mundo afora por inúmeras razões.

Um deles, por exemplo, é que a produção de energia elétrica através da incineração tem aproveitamento baixo em relação à totalidade de resíduos incinerados, ao contrário do que o mercado afirma. A recuperação, em média, do calor liberado pela incineração de resíduos fica entre 7% e 15% do total. Isso quer dizer que perde-se no processo entre 85% e 93% do calor produzido*.

Nesse momento de coronavírus, a incineração dos resíduos tem sido apresentada aos exeutivos e legislativos municipais e estaduais. Em Minas, em 2014, tivemos uma enome luta para proibir a incineração. À época, a Procuradora Margaret Matos de Carvalho, do Ministério Público do Trabalho, afirmou que o agente público que licenciar empreendimentos cuja finalidade seja a recuperação energética de resíduos sólidos com emissões de dioxinas e furanos, dado o reconhecimento científico de sua nocividade e, ainda, que não está aparelhado para o seu monitoramento, responderá penal e civilmente. 

Dito tudo isso, o caminho sustentável ambiental, socialmente inclusive e economicamente viável, de fato, é a reciclagem, a compostagem, a reutilização e, no início da lista, a mudança nos padrões de consumo e, sobretudo, a produção das mercadorias. Por ora, que sejamos empáticos às catadores e catadores, organizados ou quem está nas ruas coletando resíduos, promovendo a reciclagem, mesmo durante a pandemia. E sejamos parte da luta dos catadores e catadores na ampliação dos direitos, do respeito e reconhecimento ao trabalho deles e delas. 

Valeu, Alex, meu companheiro! Um salve à reciclagem e aos e às recicladoras que fazem isso o ano todo!

*NEGRÃO, M. e ALMEIDA, André A. de. Incineração de resíduos: contexto e riscos associados. 

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