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o que é ciência afinal?

Como estou sem condições de produzir algo novo de fato, resolvi movimentar um pouco esse canal como alguns fichamentos que fiz ao longo da vida, inclusive para me estimular a continuar a fazê-lo com a pilha de livros lidos que vai se fazendo aqui e acolá. Conseguindo seguir esse fluxo, me parece que estarei mais preparo para o que estar por vir: o Mestrado. :)

Para começar, essa obra de arte de Chalmers, que faz uma revisão bibliográfica sobre o que é ciência. Um dos pontos altos do livro, mais para o final, que diz “Podemos avaliar nossas teorias do ponto de vista da extensão em que lidam com sucesso com algum aspecto do mundo, mas não podemos ir mais além e avaliá-las do ponto de vista da extensão em que descrevem o mundo com ele é realmente, simplesmente porque não temos acesso ao mundo, independente de nossa teorias.”

PS: o fichamento jamais sofrera revisão. É possível encontrar vários e vários erros de gramática e digitação.

PS2: o fichamento nada mais que um rascunho de uma perspectiva pessoal sobre o livro. Não há nenhum apego ao normativismo acadêmico. Tão pouco há tal intenção.


 

Introdução

Alan F. Chalmers afirma que a visão equivocada de que se tem hoje em dia será discutira e demolida ao longo dos primeiros capítulos do livro. Além, ele diz que não existe método que possibilite às teorias científicas serem provadas verdadeiras ou mesmo provavelmente verdadeiras, pois não há método que possibilite que teorias científicas sejam conclusivamente desaprovadas.

De acordo com a visão mais extremada dos escritos de Feyerabend, a ciência não tem características especiais que a tornem intrinsecamente superior a outros ramos do conhecimento tais como mitos antigos. Ela deve parte de sua alta estiam ao fato de ser considerada uma  religião moderna, desempenhando um papel similar ao que desempenhou o cristianismo na Europa em eras antigas.

Ao prosseguir seu pensamento, Chalmers afirma que a filosofia da ciência tem uma história, que, segundo ele, teve Francis Bacon como um dos primeiros a tentar articular o que é o método da ciência moderna. Ele propôs que a meta da ciência é o melhoramento da vida do homem na terra e, para ele, essa meta seria alcançada através da coleta de fatos com observação organizada e derivando teorias a partir daí. Explanação e levantamento histórico dos desenvolvimentos da filosofia da ciência constituíram um estudo interessante.

Em seguida, ele diz que seria interessante investigar a ascensão do positivismo lógico, que foi uma forma extrema de empirismo, segundo o qual as teorias não apenas devem ser justificadas, na medida em que podem ser verificadas mediante um apelo aos fatos adquiridos através da observação, mas também são consideradas como tendo significado apenas até onde elas possam ser assim derivadas.

I – INDUTIVISMO

As teorias científicas são derivadas de maneira rigorosa da obtenção dos dados da experiência adquiridos por observação e experimento. Opiniões ou preferências pessoas e suposições não têm lugar na ciência.

Veem a experiência como fonte de conhecimento. Ela é uma estrutura construída sobre fatos. Tentativa de formalizar essa imagem popular da ciência. Usando os sentidos naturais diretamente e sem preconceitos.

Afirmações singulares X afirmações universais. Um grande número de observações independentes será necessário antes que uma generalizações possa ser justificada.

Do particular para o todo = raciocínio indutivo, o processo é denominado indução. A ciência é baseada no princípio da indução, baseado pela observação.

Se as premissas de uma dedução logicamente válida são verdadeiras, então a conclusão deve ser verdadeira.  Se as premissas são verdadeiras, a conclusão será verdadeira. Se elas não forem, não é uma questão resolvida pela lógica. A lógica pode ser correta, a conclusão correta e o argumento falso.

Observação mais indução de dois fatos levam a uma conclusão dedutiva, via previsão.

  1. Observa/registra;
  2. Classifica/compara/analisa;
  3. Indutivamente tira-se conclusões;
  4. Análise de pesquisas anteriores.

As proposições de observações que formam a base da ciência são seguras porque sua verdade pode ser averiguada pelo uso direto dos sentidos. A confiabilidade das proposições de observação será transmitida às leis e teorias delas derivadas.

II – Problemas da indução

O princípio de indução não pode ser justificado meramente por um apelo à lógica. O argumento proposto para justificar a indução é circular porque emprega o próprio tipo de argumento indutivo cuja validade está supostamente precisando de justificação. Não podemos usar a indução para justificar a indução. É muito vago dizer que faz-se necessário um grande número de observações sob uma ampla variedade de circunstâncias. Não se pode mensurar o número de observações e nem o que são as circunstâncias. “quantas observações?” quais situações?

As situações são infinitas, número de observações  é finito, então, o resultado será sempre infinito.

O que vemos como óbvio varia de acordo com o que somos, como formamos nossa educação,cultura e etc. Há preceitos e preconceitos.

III – 

  1. A ciência começa com observação.
  2. A observação produz uma base segura da qual o conhecimento pode ser derivado.

Há mais coisas no ato de enxergar que o que chega aos olhos (experiências perceptivas, passada, expectativas, conhecimento e etc).

IV – FALSIFICACIONISMO

O falsificacionista admite livremente que a observação é orientada pela teoria e a pressupõe. As teorias são interpretadas como conjecturas especulativas ou suposições criadas pela intelecto humano no sentido de superar problemas encontrados por teorias anteriores e dar uma explicação adequada do comportamento de alguns aspectos do mundo ou universo.

As teorias devem ser testadas por observações e experimento. As que não resistem a testes de observação e experimentais devem ser eliminadas e substituídas por conjecturas especulativas ulteriores. A ciência progride por tentativa e erro, por conjecturas e refutações. Apenas as teorias adaptadas sobrevivem.

O falsificacionista vê a ciência como um conjunto de hipóteses que são experimentalmente propostas com a finalidade de descrever ou explicar acuradamente o comportamento de algum aspecto do mundo ou do universo.

A hipótese deve ser falsificável para ser ciência.  Uma hipótese é falsificável se existe uma proposição de observação ou um conjunto delas logicamente possíveis que são inconsistentes com ela, isto é, que se estabelecidas como verdadeiras, falsificariam a hipótese.

Se uma teoria é informativa, ela deve correr o risco de ser falsificável. Uma teoria é falsificável porque faz afirmações sobre o mundo. Quanto mais falsificável, melhor ela será. A ciência progride por tentativa e erro.

DIFERENÇA FALSI E INDU. A atitude de tudo ou nada conflitua com a cautela advogada pelo indutivista ingênuo. Ele acredita que apenas as teorias que podem se revelar verdadeiras ou provavelmente verdadeiras devem ser admitidas na ciência. O falsificacionista reconhece a limitação da indução e a subserviência da observação à teoria.

A ciência começa com problemas associados à explicação do comportamento de alguns aspectos do mundo. Hipóteses falsificáveis são propostas pelos cientistas como soluções para os problemas. Elas são testadas e criticadas. Caso passem, são submetidas a mais testes. Há teorias superiores às outras pois passaram por mais testes que as predecessoras.

V – FALSIFICACIONISMO SOFISTICADO – POPPER

Uma hipótese deve ser mais falsificável do que aquela que ela se propõe a substituir. É a mudança dos méritos de uma teoria isolada para os méritos relativos de teorias concorrentes. Comparação é a parte adicionado pelos sofisticados ao falsificacionismo. Se uma hipótese modificada resiste à falsificação diante de novos testes, algo novo será aprendido e haverá progresso, é assim que a ciência progride, com erros e acertos (confirmação de conjecturas audaciosas ou pela falsificação de conjecturas cautelosas).

Pouco se aprende a partir da falsificação de uma conjectura audaciosa ou da confirmação de uma conjectura cautelosa. Do contrário, aprende-se muito (crescimento da ciência).

O contexto histórico faz influência no quão relevante foi a falsificação ou confirmação.

VI

A aceitação da teoria é sempre tentativa. A rejeição da teoria pode ser decisiva. A essência da posição de Popper sobre proposições de observação é de que sua aceitabilidade é aferida pela sua capacidade de sobreviver a testes. A ênfase de Popper nas decisões conscientes dos indivíduos introduz um elemento subjetivo que se choca de alguma forma com sua insistência posterior na ciência como “um processo sem um sujeito”.

VII – Teorias como estruturas: programas de pesquisa. LAKATOS

As teorias devem ser consideradas como um todo estruturado.

Os relatos indutivista e falsificacionista da ciência são fragmentários. Eles deixam de levar em conta as complexidades das principais teorias científicas.

A experimentação precisa somente poderá ser levada a cabo se tivermos uma teoria precisa capaz de produzir previsões sob a forma de afirmações precisas.

As teorias devem ser vistas como estruturas organizadas pelo fato do estudo histórico demonstrar que as teorias possuem essa característica e o fato de que é somente por meio de uma teoria coerentemente estruturada que os conceitos adquirem um sentido preciso. Um terceiro motivo tem origem na necessidade da ciência de crescer.

Lakatos desenvolveu sua descrição de ciência como ma tentativa de melhorar o falsificacionismo popperiano e superar as objeções a ele. Um programa de pesquisa lakatosiano é uma estrutura que fornece orientação para a pesquisa futura de uma forma tanto negativa como positiva. A heurística negativa de um programa envolve a estipulação de que as suposições básicas subjacentes ao programa, seu núcleo irredutível, não devem ser rejeitadas ou modificadas. Ele está protegido da falsificação por um cinturão de hipóteses auxiliares, condições iniciais. A heurística positiva (indica como o núcleo deve ser suplementado) é composta de uma pauta geral que indica como pode ser desenvolvido o programa de pesquisa. Esses serão progressivos ou degenerescentes, dependendo do sucesso ou fracasso persistente quando levam à descoberta de fenômenos novos.

Enquanto em Popper as decisões têm a ver apenas com a aceitação de afirmações singulares, em Lakatos o expediente é aumentado de modo a ser aplicável às afirmações universais que compõem o núcleo.

Em um programa de pesquisa, o cinturão protetor deve ser construído. Ele deve possuir um grau de coerência que envolve o mapeamento de um programa definido para a pesquisa futura e deve levar à descoberta de fenômenos novos, ao menos ocasionalmente. Feito isso, será um programa científico.

Dois movimentos são excluídos pela metodologia de Lakatos – Hipótese ad hoc e hipótese não independentemente testáveis.

Nunca se pode dizer que um programa se degenerou para sempre. Uma modificação engenhosa do cinturão protetor pode levar a alguma descoberta.

VIII – Teorias como estruturas: os paradigmas de KUHN

Ênfase dada ao caráter revolucionário do progresso científico. Características sociológicas das comunidades científicas.

POPPER – LAKATOS x KUHN

Pré-ciência- ciência normal – crise revolução – nova ciência normal – nova crise

Ciência normal é parte do trabalho dos que trabalham dentro de um paradigma. Esse paradigma se desenvolverá e sofrerá testes. Se as dificuldades fugirem ao controle, um estado de crise se manifestará. Uma crise é resolvida quando surge um paradigma inteiramente novo que atrai a adesão de um número crescente de cientistas até que eventualmente o paradigma original, problemático, é abandonado. A mudança descontínua constitui uma revolução científica.

O que distingue a ciência da não-ciência é a existência de um paradigma capaz de sustentar uma tradição de ciência normal. A ciência normal é a atividade de resolução de problemas governada pelas regrsa de um paradigma. Os problemas serão tanto de natureza experimental como teórica.

Problemas que resistem a uma solução são vistos como anomalias e não como falsificações de um paradigma. Todos os paradigmas conterão alguma anomalia e rejeita todo tipo de falsificacionismo.

Fracassos serão encontrados e podem, eventualmente, atingir um grau de seriedade que constitua uma crise séria para o paradigma e que possa conduzir à rejeição de um paradigma e sua substituição por uma alternativa incompatível. A mera existência de enigmas não resolvidos não constitui uma crise no paradigma. Uma anomalia será considerada particularmente séria se for vista atacando os próprios fundamentos de um paradigma e resistindo, persistentemente, às tentativas dos membros de uma comunidade científica normal para removê-la.

Relacionado à seriedade de uma anomalia está o tempo que ela resistirá aos testes. O número de anomalias é um fator adicional a influenciar uma crise. Se existir um paradigma rival, essa crise emergirá e se tornara séria. Paradigmas rivais considerarão diferentes tipos de questões como legitimas ou significativas.

A mudança de paradigma pode ser comparada a uma conversão religiosa. O cientista verá o mundo pelas lentes do paradigma.

Uma revolução científica é a mudança de paradigma por uma comunidade científica. As revoluções existem para romper os paradigmas por melhores. Todos os paradigmas serão inadequados no que se refere á sua correspondência com a natureza. Quando isso se torna sério(o que seria sério!?), é que aparecem as crises. A substituição de paradigma é o progresso da ciência. O progresso através das revoluções é a alternativa de Kuhn para o progresso cumulativo dos relatos indutivistas da ciência.

IX – RACIONALISMO x RELATIVISMO

Lakatos ( RA ) x KUHN ( RE )

Racionalismo

O racionalista extremado afirma que há um critério único, atemporal e universal com referência ao qual se podem avaliar os méritos relativos de teorias rivais. Universalidade e seu caráter não-histórico. São científicas apenas aquelas teorias capazes de ser claramente avaliadas em termos do critério universal e que sobrevivem ao teste. A verdade,  a racionalidade e a ciência são vistas como sendo boas.

Relativismo

Nega que haja um padrão de racionalidade universal não histórico, em relação ao qual possa se julgar que uma teoria é melhor que a outra. Aquilo que é considerado como melhor ou pior em relação às teorias científicas variará de indivíduo para indivíduo e de comunidade para comunidade. O objetivo da busca pelo conhecimento dependerá do que é importante ou daquilo que é valorizado pelo indivíduo ou comunidade. “O homem é a medida de todas as coisas” Relativismo individual. “Não há padrão mais algo que o assentimento da comunidade relevante” Relativismo comunitário.

As escolhas serão governadas pelo que os indivíduos atribuem valor. Envolve uma investigação psicológica quando trata-se de indivíduo e uma sociológica para a comunidade. VALORES E INTERESSES.

A relação ciência e não-ciência é menos importante do que para o racionalista. Deve-se analisar a ciência através das lentas da sociedade/indivíduo.

Lakatos como racionalista

Crítica de Lakatos ao relativismo – a verdade se encontrará no poder, a mudança científica se transforma numa questão de psicologia das multidões e o progresso científico é um efeito de adesão aos vitoriosos.

A ciência progride por meio da competição entre os programas de pesquisa. A metodologia deve ser avaliada pela extensão em que é capaz de explicar a boa ciência e sua história. Ele queria dar regras para eliminar programas de pesquisa e opor-se à poluição intelectual. Supôs que qualquer campo de indagação que não compartilhe das características principais da física não é uma ciência e é inferior a ela do ponto de vista da racionalidade.

Kuhn como relativista

O conhecimento científico é intrinsicamente a propriedade comum de um grupo ou então não é nada. Tem-se de saber as características especiais dos grupos que a criam e usam. O que é considerado problema depende da comunidade. Ele não crê em uma verdade qualquer. Haverá valores sancionados e uma comunidade que orientarão as escolhas dos cientistas individuais. Quem tem tais valores fará escolhas diferentes na mesma situação, por conta do peso que dá a determinado valor.

O que é ciência depende dele se conformar ou não ao relato da ci~encia oferecido pela Estrutura das Revoluções Científicas.

Críticas

Popper – com base no fato de que ele dá ênfase excessiva ao papel da crítica na ci~encia

Lakatos – ele não trata da importância da competição dos programas de pesquisa (paradigmas)

Feyerrabend – com base no fato da distinção de que o crime organizado e a filosofia de Oxford qualificam-se como ciência.

Supõe que a ciência seja superior.

Não deixa uma maneira de criticar a comunidade científica. Lakatos oferece meios para que se possa criticar algumas decisões da comunidade.

INDUTIVISMO X FALSIFICACIONISMO // RACIONALISMO (LAKATOS) X RELATIVISMO (KUHN) // OBJETIVISMO X INDIVIDUALISMO

X – Objetivismo

Enfatiza os itens do conhecimento desde proposições simples até teorias complexas, possuem propriedades e características que transcendem as crenças e estados de consciência dos indivíduos que os projetam e contemplam. É oposto á perspectiva do individualismo (conhecimento está na crença dos indivíduos).

Individualismo

Conhecimento é um conjunto de crenças de indivíduos que reside em seus cérebros ou mentes. Se fosse assim, haveria um REGRESSO INFINITO ao passado, para saber de onde vieram as crenças. Para que se evite tal problema, parece necessário um conjunto de afirmalções que não necessitem de justificativas que recorram a outras afirmações, mas que sejam, de alguma fora, autojustificantes. Tal conjunto seria os fundamentos do conhecimento.

Tradições rivais na teoria do conhecimento – racionalismo clássico (PENSANDO –  conhecimento acessível à mente pensante)Descartes) e empirismo ( OBSERVANDO – saber através dos sentidos – Locke)

Objetivismo

Dá prioridade às características dos itens ou corpos de conhecimento com que se confrontam os indivíduos, independentemente das atitudes, crenças ou outros estados subjetivos daqueles indivíduos. Se concentrará nas características daquelas teorias ou programas, ao invés de ater-se às crenças, sentimentos de convicção ou outras atitudes dos indivíduos ou grupos que nelas trabalhem.

Ciência como prática social – uma ciência envolverá um conjunto de técnicas para articular, aplicar e testar as teorias das quais é formada. Após os testes, os resultados devem ser capazes de resistir a procedimentos de testes adicionais conduzidos. Se os resultados sobreviverem a tais testes e forem publicados, sua adequação estará aberta para ser testada numa frente mais ampla.

POPPER – O conhecimento no sentido objetivo é o conhecimento sem conhecedor; é o conhecimento sem um sujeito que sabe

LAKATOS – o valor cognitivo de uma teoria nada tem a ver com a sua influência psicológica nas mentas das pessoas. O valor objetivo, científico, de uma teoria é independente da mente humana que a cria ou a compreende.

MARX – Em um certo sentido, o materialismo histórico, a teoria da sociedade e a mudança social iniciada por Marx é uma teoria objetivista na qual a abordagem objetivista está aplicada à sociedade como um todo. O objetivismo de Marx está evidente em seu conhecido comentário “não é a consciência dos homens que determina o seu ser, mas, ao contrário, o seu ser social é que determina sua consciência. O resultado das ações sociais de um indivíduo será determinado pelos detalhes da situação e será tipicamente bem diferente daquilo que era a intenção do indivíduo.

XI

XII – A teoria anarquista do conhecimento de Feyerabend

Feyeraend consegue dar boas-vindas a Lakatos como companheiro anarquista porque sua metodologia não fornece regras para teoria ou para escolha de programas. Os cientistas não devem ser restringidos pelas regras da metodologia. Nesse sentido, vale tudo.

A distinção entre o charlatão e o pensador respeitável encontra-se na pesquisa realizada, uma vez adotado um certo ponto de vista. Se você quer fazer uma contribuição para a física, não é necessário que esteja familiarizado com as metodologias da ciência contemporânea, mas que esteja familiarizado com os aspectos da física.

Incomensurabilidade

Origina-se na dependência que a observação tem da teoria. Os sentidos e interpretações dos conceitos e as proposições de observação que os empregam dependerão do contexto teórico em que ocorram.

Quer dizer que duas teorias não podem ser comparadas através de suas consequências lógicas. O fato de um par de teorias rivais serem incomensuráveis não resulta em que elas não podem ser absolutamente comparadas. A incomensurabilidade não remove todos os meios de comparação de teorias rivais incomensuráveis, leva a um aspecto da ciência necessariamente subjetivo. -> O que permanece são julgamentos estéticos, de gosto, preconceitos metafísicos, desejos religiosos, em resumo, o que permanece são os desejos subjetivos.

A ciência não é necessariamente superior a outras áreas do conhecimento. Não é legítimo rejeitar o marxismo baseado no fato de que ele não se confronta com alguma noção preconcebida do método científico, como faz Popper, ou defendê-lo com bases semelhantes, como faz Althusser.

Feyerabend contrasta a ciência com o vodu, com a astrologia e coisas semelhantes e argumenta que estes últimos não podem ser excluídos recorrendo-se a algum critério de cientificidade ou racionalidade. Atitude humanitária – a favor da tentativa de aumentar a liberdade – no interior da ciência, ele aumenta a liberdade dos indivíduos encorajando a remoção de todas as restrições metodológicas dos indivíduos de escolher entre a ciência e outras formas do conhecimento. Existe a separação entre o Estado e a religião, mas não existe entre o Estado e a ciência. Ele quer libertar a sociedade do estrangulamento de uma ciência ideologicamente petrificada, da mesma forma que nossos ancestrais liberaram a nós do estrangulamento da Única Religião Verdadeira. Estado ideologicamente neutro. Sua função é orquestrar a luta entre as ideologias para assegurar que os indivíduos mantenham sua liberdade de escolha e não tenham uma ideologia importa a eles contra sua vontade.

Se analisarmos a liberdade de expressão em nossa sociedade apenas do ponto de vista da liberdade de censura, deixamos de examinar questões como a extensão em que vários indivíduos têm acesso aos meios de comunicação.

Cada indivíduo nasce numa sociedade que existe antes dele e que, neste sentido, não é escolhida livremente. A liberdade que um indivíduo possui dependerá da posição que ocupa na estrutura social, de modo que uma análise da estrutura social é um pré-requisito para uma compreensão da liberdade do indivíduo. Liberdade do indivíduo está ligada às coerções que operam na sua sociedade.

Se devemos mudar para melhor a sociedade contemporânea, então não temos outra alternativa senão começar com a sociedade que nos confronta e tentar muda-la com os meios que se apresentam.

Todos devem seguir suas inclinações individuais e fazerem o que quiserem. Caso seja adotado este ponto de vista, é provável que ele conduza a uma situação em que aqueles que já têm o acesso ao poder o retenham. Vale tudo significa que, na prática, tudo permanece.

XIII – Realismo, instrumentalismo e verdade

Para o realista, a ciência visa descrições verdadeiras de como o mundo realmente é. Se uma teoria for verdadeira, ela é verdadeira por ser como o mundo é. SUBJETIVO demais. Popper é realista. As teorias verdadeiras, se realmente o são, não são verdadeiras em relação as crenças dos indivíduos ou grupos. SÂO EM RELAÇÃO à QUE ENTÂO?

INSTRUMENTALISMO

Envolve uma distinção clara entre os conceitos aplicáveis a situações observáveis e os conceitos teóricos. O objetivo da ciência é produzir teorias que sejam esquemas ou instrumentos convenientes para ligar um conjunto de situações observáveis com um outro. As teorias científicas não são mais que conjuntos de regras para ligar um conjunto de fenômenos observáveis com um outro. Amperímetros, limalha de ferro, planetas e raios de luz existem no mundo. Elétrons, campos magnéticos, epiciclos ptolemaicos e éter não existem. Não é atividade da ciência estabelecer aquilo que possa existir para além do reino do observável. A ciência não dá mieo seguro de transpor o observável.

Teoria da correspondência da verdade

Uma sentença é verdadeira se as coisas são como a sentença diz que são, e false se não o são.

Problema com a noção de verdade no senso comum

Se as leis de Newton são verdadeiras, elas são sempre verdadeiras, mas geralmente acompanhadas pela ação simultânea de outras tendências. Se as leis de Newton correspondem a alguma coisa, correspondem a tendências transfactuais, que são coisas muito diferentes de estados de coisas localizados tais como gatos estarem em esteiras.

POPPER É FALSIFICACIONISTA E REALISTA – Teorias passadas que foram substituídas, como a mecânica de Galileu ou de Newton, são falsas à luz das nossas teorias atuais, enquanto no qiue se refere às modernas teorias quantiticas, não podemos saber se são verdadeiras, por serem atuais.

XIV

Não é aceitavam para um realista explicar a relação entre a teoria de Newton e o mundo com que argumento de que, se a teoria de Eistein corresponde aos fatos, então uma série de observações estará em conformidade com a teoria de Newton interpretada instrumentalmente.

O mundo físico é tal que nossa s teorias físicas são aplicáveis a ele em certo grau e em geral num grau que excede suas predecessoras na maioria dos aspectos. O realismo não-representativo é realizada em dois sentidos. 1 envolve a suposição de que o mundo físico é como é independente de nosso conhecimento dele. O mundo é como é, seja lá o que for que os indivíduos ou grupos pensem sobre o assunto. 2 Ele é realista porque envolve a suposição de que, na medida em que as teorias são aplicáveis ao mundo, são aplicáveis dentro e fora das situações experimentais.

Podemos avaliar nossas teorias do ponto de vista da extensão em que lidam com sucesso com algum aspecto do mundo, mas não podemos ir mais além e avaliá-las do ponto de vista da extensão em que descrevem o mundo com ele é realmente, simplesmente porque não temos acesso ao mundo, independente de nossa teorias.

A pergunta que dá título ao texto é enganosa e arrogante. Ela supõe que exista uma única categoria de ciência e implica que várias áreas do conhecimento, a física, a biologia, a história, a sociologia e assim por diante se encaixam ou não nessa categoria. Ele quer combater o que pode ser uma ideologia da ciência, tal como acieotem nossa sociedade. Uso do conceito dúbio de ciência e o conceito igualmente dúbio de verdade. Não existe um conceito universal e atemporal de ciência ou de método científico que possa servir propósitos exemplificados no parágrafo anterior. Não podemos defender ou rejeitar legitimamente itens de conhecimento por eles se conformarem ou não a algum critério pronto e acabado de cientificidade.

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