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Um presente para BH: um parque para se pedalar

No início de 2015, a prefeitura de Belo Horizonte dará um singelo, mas representativo, presente aos ciclistas da cidade: a liberação para se pedalar no Parque Ecológico da Pampulha!

Pedalar em parques uma maneira agradável de os conhecer, fazer atividade física, cuidar da saúde, socializar e interagir com um pedaço da cidade, com o espaço público. No entanto, jovens, adultos e idosos foram privados desse prazer em Belo Horizonte, com a proibição do uso da bicicleta nos parques da cidade que já data de longo tempo.

A Portaria nº 11, de 1 de junho de 2004, dispõe sobre as regras para utilização do Parque Ecológico Francisco Lins do Rego. Em 2011, a Lei 10.285, que permite apenas bicicletas de aro 12,14 e 16  em todos os parques da cidade e proíbe as demais, foi sancionada. Em 2013, a Portaria municipal nº 0023/2013 concentrou todas as normativas concernente aos parques municipais administrados pela Fundação Municipal de Parques [FMP]. Coincidentemente ou não, no artigo 4º de ambas as portarias está contida, entre outras, a proibição do uso das bicicletas.

Um parêntese importante: em BH, há parques geridos pela FMP e outros pela Fundação Zoo-Botânica (FZB-BH). Ambas regulamentam as regras dos Parques como acharem melhor, para bem ou para mal.

Um dos parques administrados pela Zoo-Botãnica é o Parque Ecológico da Pampulha [PEP], que possui uma ciclovia interna e há alguns anos empresta bicicletas para circulação interna.

No 1º semestre de 2013, um coletivo de ciclistas chamado Bike Anjo BH se reuniu com a diretoria do PEP para combinar uma atividade conjunta dentro do Parque. Na ocasião, os dois integrantes do Bike Anjo presentes colocaram apenas uma condição para realizarem a ação: que o Parque, no dia 30 de maio [dia da atividade], fosse aberto para toda e qualquer pessoa que quisesse pedalar lá dentro com sua própria bicicleta.

Condição aceita, foram realizadas campanhas de divulgação nas redes sociais e, no dia do evento, houve distribuição de panfletos na orla da Lagoa da Pampulha convidando os ciclistas a pedalarem no PEP.

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Com algum estranhamento e timidez à possibilidade de pedalar dentro do PEP, dezenas de pessoas e nós, bike anjos, desfrutamos daquele dia. Nenhum problema. Pelo contrário, iniciava-se a busca por uma solução. Numa matéria sobre o evento, o Bike Anjo afirmou: “Essa pode ter sido a porta de entrada para que todos os parques abram suas portas para as bicicletas/patins e skate. Para a humanização”.

De lá para cá, foram realizadas mais seis atividades do Bike Anjo no PEP, inclusive na Virada Cultural, sempre com a mesma condição: que as pessoas possam pedalar com suas bicicletas dentro do parque. 263350_4616929476076_393271483_n

No início de 2015, um ano e meio depois daquele 30 de maio, a prefeitura, através da administração do PEP, divulgará uma nova portaria que alterará o regulamento do Parque Ecológico da Pampulha. Nela, após anos de proibição, estará contida a permissão para acessar o PEP com qualquer bicicleta e em qualquer dia.

Mais uma boa pedalada rumo a estimular a abertura completa e geral dos parques da cidade para o uso de bicicleta, patins, skate e patinete e para tornar Belo Horizonte uma cidade mais amiga do ciclista.

O relato e as fotos do evento do dia 30/05/2013 podem ser encontrados aqui.

Caso você queira contribuir para a abertura dos demais parques da cidade, assinea petição online da BH em Ciclo – Associação dos Ciclistasr Urbanos de Belo Horizonte, disponível no link: http://goo.gl/Z5btdO.

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Menos uma vaga, muito mais espaço!

O Planejamento urbano é um instrumento fundamental para que gestores públicos, população e os demais atores sociais compreendam e busquem respostas a uma pergunta complexa e que não possui resposta pronta: que cidade queremos?

Uma outra pergunta que ajuda a encontrar resposta àquela primeira é: como utilizamos o espaço público?

Em uma vaga para carros, por exemplo, estacionam, quando muito, cerca de 40 carros/dia. Em média, cada carro tem não mais que duas pessoas. Numa matemática simples: 80 pessoas usarão um espaço público ao longo de um dia [movimentado].

Isso é muito? Pouco não é, mas e se pudéssemos ir além, aumentar o uso desse espaço em até 400% e qualificá-lo?

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Foto: ActivaValdivia

O uso de uma vaga para carros implica em, no mínimo: poluição visual, sonora, do ar e na limitação da utilização para pessoas que possuem um carro. Ou seja, de pronto, menores de 18 anos, que correspondem a 33% da população, no Brasil, não poderiam fazer uso do espaço. Uma vaga de carro é realmente pública? Ou ela utiliza-se do espaço público para privilegiar uma porção da sociedade que detém um atributo específico (o carro, no caso)?

Foto: ActivaValdivia

Foto: ActivaValdivia

Em Valdivia, no Chile, como parte do Plano de Ativações do Espaço Público, gerido por um Consórcio chamado Valdivia Sustentable, foi inaugurado o primeiro MiniParque da cidade, no lugar de uma vaga de carro. Com essa pequena alteração no espaço público, Valdivia permitiu que qualquer cidadão, de todas as idades, possa desfrutar do seu direito à cidade. Além, o município chileno qualificou o uso deste espaço público, quando inseriu árvores, locais para se sentar e bicicletários, e quantificou, por conta da universalização do acesso a ele.

O MiniParque ainda é um projeto temporário e está recebendo, in loco, avaliações dos cidadãos que passam por ali. Caso elas sejam positivas em sua maioria ao longo de dois meses, o espaço será definitivo e outras iniciativas semelhantes terão o objetivo de menos vagas, mais espaços.

Imagens da construção do MiniParque.

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