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Documentário – Malucos na Estrada II

Há alguns anos, desde que o Catarse foi lançado, tenho adorado investir alguns poucos reais em vários projetos de financiamento coletivo, em diferentes áreas.

Até hoje, quase todos os que apoiei foram executados. Por sorte minha e competência de quem desenvolveu o projeto, o documentário abaixo, o qual tenho orgulho de dizer que apoiei, saiu do papel. Essa, na verdade, é a segunda edição de um projeto que começou com um tamanho e, no seu desenrolar, ficou gigante e lindo.

Uma das minhas alegrias foi ver o autêntico e ainda vivo papel revolucionário da bicicleta na vida desses malucos e no que eles acreditam como sociedade. Em tempos de monocromatização financeira da bicicleta no país, ver tantas cores e a transparência é de emocionar.

Com uma perspectiva única sobre a vida urbana, rural e o interregno de ambas, a estrada, o documentário “Malucos de Estrada II” serve, no mínimo, como uma fundamentada e empírica crítica ao sistema capitalista.

Alguns dos cidadãos e cidadãos que participaram dessa obra de arte têm argumentos dignos de nossa reflexão interna sobre um dos sistemas mais complexos: nós, os seres humanos. Ao longo da narrativa, pontos de vistas orgânicos são apresentados e a história de vida, ou a vida, dess@s maluc@s vai nos envolvendo.

No documentário, eles abordam a forma de extrair determinados materiais para fazer os objetos (colares, brincos e etc), a comunidade (ou tribo) existente, o preconceito que sentem, a violência que existe na estrada, o uso de drogas, a fé e outras tantas coisas que, cotidianamente, vivemos em nossas vidas urbanas, ainda que transvestidas em pastas, sapatos, tenis, mochilas, notebooks e bares.

A cidade que nasci, cresci e morei, Belo Horizonte, foi a primeira a apresentar os problemas institucionais que os malucos podem ter: a Polícia Militar com sua sede de vigilância e sua fome por controle. Uma vergonha não para a PM, que sempre fez e continuará fazendo isso, mas para Belo Horizonte, uma cidade que já foi, outrora, símbolo da cultura livre e da liberdade nos espaços públicos e hoje é símbolo de repre$$ão, higieni$mo e terceirização da gestão e da coisa pública. Ainda que a PMMG esteja sob tutela do estado, o poder municipal tem o costume de usar essa instituição para atender seus anseios nada democráticos.

Uma abordagem não foi feita no documentário e me deixou curioso: o tal sistema tem nas rodovias (e no rodoviarismo) uma de suas principais formas materiais. Transferindo para as cidades, ele, o sistema, materializa-se em grandes avenidas, trincheiras, vias expressas para passar um dos seus maiores e preferidos filhotes: o carro.

Eu gostaria muito de ouvir como @s maluc@s compreendem a relação entre o rodoviarismo, que é parte da morada deles, e o capital, tão criticado por elxs.

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Quanto mais PISEAGRAMA, melhor! PISE já!

Há algumas décadas, os governos decidiram pautar a construção das cidades pelo modelo rodoviarista, ou seja, modelo que prioriza a circulação de carros. Para tentar sustentar essa forma de desenvolvimento urbano, as cidades foram sendo redesenhadas e tomando a forma que elas têm hoje no Brasil: ruas cortando parques, áreas verdes e tudo o que for preciso, extensas e largas avenidas, anéis rodoviários, vias expressas, viadutos, trincheiras e todo tipo de obra que prevê a passagem dos motorizados.

Tudo isso, claro, causando degradação ambiental, desapropriação de milhares de cidadãos que tinham suas vidas estabelecidas e outros tantos problemas vindos desse tal progresso, que avança busca a expansão cotidianamente.

Como frear esse tipo de processo e iniciar um novo ciclo de desenvolvimento urbano?

Um bom instrumento é a informação de qualidade e o conhecimento por detrás dela. Tendo como base essa ferramenta, um grupo de cidadãos criou a PISEAGRAMA, uma revista que fala de espaços públicos consolidados, descontruídos, a serem explorados, imaginados, sonhados e co-realizados por pessoas em suas diversas possibilidades de organização social.

As publicações da revista misturam o passado, presente e futuro na busca por apresentar soluções práticas para a melhoria na qualidade de vida das nossas cidades, através do uso do bem comum e público, de instrumentos antissistêmicos, criativos e aplicáveis às nossas cidades.

A PISEAGRAMA foi uma das quatro revistas selecionadas no Edital Cultura e Pensamento, do Ministério da Cultura, e circulou por todo o Brasil em versão impressa e online. As edições que deram à revista a possibilidade de ser seleciada neste edital são: Acesso, Progresso, Recreio, Vizinhança, Descarte e Cultivo. Terminada a temporada dos seis primeiros números, a PISEAGRAMA está fazendo uma chamada ao financiamento colaborativo para continuar a abordar as questões do espaço público no Brasil.

Imagem: Piseagrama

Imagem: Piseagrama

Fonte: PISEAGRAMA

Porque você deveria apoiar a manutenção de uma revista?

A escassez de publicações no país que abordam o espaço público e façam discussões que extrapolam os limites políticos-partidários dos editorais ficou mais evidente no último ciclo eleitoral. Tendo o financiamento coletivo como pilar, é possível dar sustentabilidade financeira a projeto de forma a não depender de patrocinadores ‘ficha suja’. Com a nossa ajuda, também será possível ter mais quantidade da mesma qualidade.

Sendo bem sucedida no Catarse, a PISEAGRAMA reformulará seu site, que já possui as edições antigas da revista, que contará com opções para tradução, conteúdos audiovisuais, mapas interativos, infográficos e etc. Além disso, ajudaremos a PISEAGRAMA a consolidar sua rede de colaboradores e a atrair novos assinantes, gerando, para além do dinheiro, o público necessário para que a publicação se sustente e siga em frente para difundir mais conteúdo de boa qualidade mundo afora.

O que você ganhará apoiando ela?

Participando da iniciativa no Catarse, além de apoiador, você se tornará assinante da revista. Isso quer dizer que você receberá na sua casa as próximas duas edições da revista por um custo menor do que o da compra direta. Contribuindo com mais, você pode presentear amigos e receber, além das novas revistas, outros produtos PISEAGRAMA (bolsas, livros, adesivos).

Alcançando a meta de financiamento, contribuiremos para que a sociedade continue tendo uma publicação independente e sem amarras a qualquer instituição ou pessoa.

As cidades precisam de mais grama para pisar! PISEAGRAMA!

Clique aqui e apoie o projeto no Catarse.

Texto também publicado no Mobilize.org.

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