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COPENHAGUE: a terra dos c…arros e também de quem pedala

e continua sendo uma cidade dos c…arros! muita gente acha que a cidade é o paraíso da bici e que isso por si só basta. de fato, é um paraíso das bicis, mas no epicentro de um universo MUITO mais motorizado que o das cidades brasileiras.

conforme pode ser visto no gráfico abaixo, nos últimos anos, a cidade teve um aumento de viagens de bicicleta dentro do município. em 2016, a quantidade de viagens de bicicleta superou as de automóvel na cidade. no entanto, as viagens feitas de bicicleta entre cidades teve queda de 16% de 2007 a 2017.

Copenhagen inner-city

em contrapartida, no mesmo contexto, não por acaso, os deslocamentos feitos em automóveis entre municípios aumentou, à medida que os de bicicleta diminuíram.

essa paridade entre viagens de carro e bicicleta pode ser vista no gráfico abaixo. ele demonstra, em percentual, qual modo de transporte as pessoas escolhem para fazer compras. como se pode ver, bicicletas e automóveis têm o mesmo percentual (32%), seguido de quem vai a pé (23%) e de transporte coletivo (13%).

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 também tem outras marcas, ou números, impressionantes. um exemplo: em uma das superciclovias, a Farum, 25% dos novos ciclistas que usam ela são antigos motoristas. nada mal para uma cidade que prentede atrair, sempre, mais pessoas para as bicicletas.

uma cidade que já tem bastante gente usando bicicletas e que mesmo assim tem metas ambiciosas para aumentar esse contingente precisa investir.  a cidade tem investido 22 milhões de euros por ano para que, em 2025, se tenha 9% menos de viagens por carro do que os dias atuais. os 22 milhões são como 38 euros por ano por habitante.

em Belo Horizonte, temos metas semelhante de redução de viagens motorizadas para 2020, 2025 e 2030. a enorme diferença vem do valor investido em bicicleta por habitante. aqui, soma-se algo como R$ 0 para cada habitante, desde 2016. antes, estávamos perto de R$ 1 por habitante.

tantos investimentos na cidade dinamarquesa têm outros reflexos. um deles é o aumento da quantidade de quilômetros pedalados. e, como sempre se diz (e se prova), esse crescimento tem uma consequência: redução da quantidade de ciclistas mortos. essas duas afirmações são ilustradas pelo gráfico abaixo.

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a linha laranja demonstra a quantidade de quilômetros pedalados. a linha vermelha, a quantidade de fatalidades com ciclistas. a azul, o ‘risco’ de ser ciclistas na capital da dinamarca.

um outro dado interessante daquela cidade é a razão pela qual as cidades pedalam por lá. elas são apresentadas na imagem abaixo. em primeiro lugar, com 53%, porque é rápido. em segundo (50%), é fácil. em terceiro, pelo exercício (40%). em quarto, porque é mais barato (27%). em quinto, porque é conveniente (23%). e, por último, como em qualquer parte do mundo, porque é ambientalmente correto (7%).Sem título3

um rápido paralelo com a pesquisa do perfil do ciclista brasileiro demostra que as razões para se pedalar em ambos contextos (europeu e brasileiro) são semelhantes. ou muito semelhantes, conforme se pode ver abaixo.

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no contexto brasileiro, a principal razão, como na cidade dinamarquesa, é a rapidez (42,9%). na pesquisa brasileira não se tem as razões fácil e conveniente, elencadas na pesquisa de #copenhague. no entanto, ambas dialogam com a razão praticidade. em seguida, a pesquisa mostrou que 24.2% dos brasileiros pedala por conta da saúde (que pode ser comparada à razão for the exercise na pesquisa dinamarquesa). em terceiro lugar está o (baixo) custo de se pedalar (que na de copenhague é it’s cheap). por último, em ambas as pesquisa, está a questão ambiental.

outro dado da pesquisa dinamarquesa interessante de ser ver tem a ver com o que tem se falado em cidades brasileiras: #carrosforadocentro.  o gráfico abaixo demonstra a queda de viagens de carros dentro do centro da cidade e o aumento substancial da quantidade de deslocamentos feitos de bici pelo centro, de 1970 a 2017. Sem título5

falado sobre passado e presente, é hora do futuro. abaixo, as razões que fariam os dinamarqueses pedalarem mais em sua capital. a principal para os moradores de copenhague pedalarem mais é ter mais ciclovias (na dinamarca, usa-se pouco o conceito e o desenho de ciclofaixas). em seguida, ter ciclovias mais largas. em terceiro, a melhoria das condições para ciclistas. em quarto, se as pessoas se sentirem mais seguras. em quinto, se as condições para as pessoas pedalarem lado a lado forem melhoradas (lá, é comum se pedalar em dupla – cada um de um lado). por fim, a existência de ciclovias longe do trânsito motorizado.

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para fazer outro paralelo, abaixo as razões que fariam os brasileiros e brasileiras a pedalarem mais.

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antes de fazer as comparações, vale ressaltar que as pesquisas usarem metodologias diferentes. a principal razão que faria os brasileiros e brasileiras pedalarem mais é a existência de mais infraestrutura cicloviária, como na dinamarca. a segurança no trânsito é a segunda razão pela qual se pedalaria mais no Brasil (que tem a ver com a quinta razão a qual faria os dinamarqueses pedalarem mais). a criação de estacionamentos para bicicleta, quarta razão no brasil, pode ser compreendida como a melhoria das condições para se pedalar – na pesquisa dinamarquesa essa está em terceiro lugar).

as demais razões da pesquisa brasileira são diferentes das da dinamarquesa. lá, não há questões ligadas à arborização e segurança pública.

qualquer semelhança não tem absolutamente nada de coincidência, ainda que os contextos sejam díspares. andar de bicicleta é um ato simples, mas nunca foi um simples ato, guardando as especificidades dos lugares e dos territórios onde se faz isso.

referências utilizadas nesse artigo:

  1. PESQUISA DO PERFIL DO CICLISTA BRASILEIRO, 2015, transporte ativo;
  2. COPENHAGEN CITY OF CYCLISTS FACTS & FIGURES, 2017, CYCLING EMBASSY OF DENMARK.
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