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Exposição virtual sobre a história da bicicleta: “À bicyclette! Une petite histoire du vélo”

O Conservatoire numérique des Arts et Métiers (Cnum) colocou em seu sítio eletrônico uma exposição consagrada sobre a história da bicicleta chamada “À bicyclette! Une petite histoire du vélo”.

Como qualquer modo de transporte, a bicicleta, hoje, é resultado de uma série de invenções e evoluções, fracassadas ou bem sucedidas, que vêm desde o século XIX.

A história começa com a draisiana em 1817 que era simples como uma máquina de correr. Para usá-la, utilizava-se os pés. Os pedais vieram na década de 1860 e as correntes 10 anos mais tarde. Nos anos 1880 apareceram os primeiros modelos de bicicletas modernas (como as conhecemos hoje). No início, o custo de produção era altíssimo e a bicicleta era um produto inacessível à maior parte da população. Nos anos 1890 o preço (na Europa) baixou e a bicicleta começou a se popularizar e a democratizar o uso da rua, agora,com um modo de transporte.*

Para saber sobre a história da bicicleta, ver o livro de André Schetino “Pedalando na Modernidade: A bicicleta e o ciclismo no Rio de Janeiro e em Paris na transição dos séculos XIX-XX” (fruto da defesa de sua dissertação). O livro está disponível aqui: http://livros01.livrosgratis.com.br/cp090597.pdf.

Clique na imagem abaixo para acessar a exposição (em francês).

Bicicleta dobrada à esquerda e à direita ela aberta. Sem data.

Bicicleta dobrada à esquerda e à direita ela aberta. Sem data.

*andar a pé não é um modo de transporte, mas um meio de se locomover. Nada mais democrático do que pessoas andando pelas ruas, mas não se trata, como já dito, de um modo de transporte.

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Paris de bicicleta: como pedalar com segurança

Texto originalmente postado em Conexão Paris.

Pedalar pode ser um ato político, uma forma de se exercitar, uma atividade preventiva a doenças, um esporte, um lazer, uma escolha para se deslocar, uma maneira agradável de conhecer novos lugares, entre outras inúmeras possibilidades prazerosas, saudáveis, limpas e econômicas.

Conhecer uma cidade pedalando é uma das mais inteligentes e deliciosas experiências que uma pessoa pode ter. Em Paris não é diferente. Em cima de uma bicicleta, explorar as lindas ruas, pontes, os 20 arrondissements, conhecer a Torre Eiffel, a parte externa do Louvre, a Champs-Élysées, ir a bares e restaurantes e todos os outros belos e interessantes símbolos da cidade, é uma aventura prazerosa, agradável e marcante.

Como no Brasil, as cidades francesas, incluindo Paris, possuem regras específicas para quem quiser pedalar. São simples, mas precisam ser seguidas para sua pedalada não se tornar um problema e/ou uma multa de algumas dezenas de euros.

Antes de falar sobre as sinalizações e dar dicas de como pedalar pela Cidade Luz, seguem algumas informações que lhe situarão sobre como Paris está com relação ao incentivo do uso da bicicleta.

A última atualização oficial, de 2013, apontou que a cidade possuía mais de 730 kms de vias para ciclistas divididas entre ciclovias na rua e na calçada, pistas compartilhadas com ônibus com velocidade limitada para garantir a segurança do ciclista e o duplo sentido ciclável. Minha experiência de pedalar por Paris todos os dias me deixa afirmar que, via de regra, os motoristas de ônibus são bastante corteses com os ciclistas, especialmente com os que usam o Vélib’.

Você deve estar se perguntando: o que é duplo sentido ciclável? Os chamados “doubles sens cyclabes” são ruas nas quais é permitido somente ao ciclista trafegar no contrafluxo. Onde existe tal permissão, a sinalização é feita por placas e pinturas nas ruas.. Há também as placas que regulamentam o avanço do sinal vermelho somente para ciclistas, como a foto abaixo. Quando encontrar essa placa, repare o sentido da seta, veja se está vindo algum outro veículo e siga seu percurso.

Exemplo de sinalização para ciclistas em Paris

O Vélib’

Vélib’ é o nome do sistema de bicicletas compartilhadas de Paris. Ele é reconhecidamente um dos melhores sistemas do mundo e possui cerca de 1.600 estações e quase 20.000 bicicletas espalhadas por Paris e na periferia da cidade.

Com 1,70 euros, você pode ter acesso ao sistema por um dia. A tarifa para uma semana é de 8 euros. Para o passe anual, é interessante consultar o site do sistema.  Com esse passe, você pode usar, com limite de tempo de 30 a 45 minutos, quantas vezes quiser o sistema ao longo do dia/semana/ano. Após os 30 minutos, você precisa depositar a bicicleta numa estação, esperar alguns minutos (cerca de três) e pegar novamente.

Vélib, as biciletas para aluguel da Prefeitura de Paris

O maior desafio de pedalar em uma nova cidade é a falta de conhecimento sobre o território e o trânsito da cidade: onde virar, quando seguir, onde parar, quais placas são para o ciclista, como os motoristas e motociclistas se comportam, quais as regras e etc.

Saber quais sinalizações são dedicadas aos ciclistas é um bom instrumento para se pedalar com mais segurança. Abaixo estão as sinalizações básicas que o ciclista precisa saber para pedalar em Paris ciente das regras básicas. Ao contrário do Brasil, em Paris a sinalização proibitiva aos ciclistas está em vermelho e a permissiva em azul.

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Indica que o local é uma pista ciclável (piste ou bande) aconselhada e reservada às bicicletas* e proibida aos motoristas e pedestres de transitar e parar.

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Fim da pista ciclável indicada acima.

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Direção aconselhada às bicicletas.

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Ao contrário do Brasil, essa placa quer dizer “Acesso interditado às bicicletas”.

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Circulação proibida para todos os tipos de veículos.

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Via reservada à circulação de transportes coletivos e bicicleta. Sem essas placas, a circulação dos ciclistas é proibida nas pistas dos ônibus.

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Indica que o local é uma via ciclável (piste ou bande) obrigatória para as bicicletas.

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Fim da pista indicada na placa acima.

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Contrafluxo (duplo sentido) permitido aos ciclistas.

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Proibido ir no contrafluxo, exceto o ciclistas. Observação: em Paris, cada dia mais há essas placas que permitem as ciclistas circular onde é contramão aos demais veículos. Andar nessas contramãos ajudam a encurtar o caminho.

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Esse símbolo é da Zone de Rencontre. Essas zonas são ruas ou conjunto de ruas que têm por objetivo dar segurança e prioridade a quem anda a pé e de bicicleta e fazem parte de uma nova legislação francesa. Nelas, os pedestres podem circular sobre a rua e têm a prioridade sobre todos os veículos (incluindo a bicicleta), à exceção do tramway.As bicicletas podem circular nos dois sensos nessas zonas. Há também as Zone 30, ou Zonas 30, que têm objetivo similar à Zone de Rencontre, mas com limite máximo de 30km/h.

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Fim da Zone de Rencontre.

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Placa que informa ao ciclista a kilometragem restante para determinados locais da cidade. Com elas, você pode se orientar para ir ao ponto X ou Y.

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Rota reservada exclusivamente para a circulação de pedestres, bicicletas, patinetes, skates e pessoas à cavalo.

* na lei, o termo correto é ciclos, ou seja, as bicicletas de duas ou três rodas e não os ciclistas.

Cinco observações:

  1. Você pode chegar em todos os pontos turísticos da cidade pedalando!
  2. Cerca de ⅓ das ruas de Paris possuem velocidade máxima de 20km/h ou 30km/h. Isso lhe dará segurança para pedalar por elas e lhe fará compreender a importância de compartilhar a rua com os demais usuários (motoristas, motociclistas e etc).
  3. Planeje bem a sua rota antes de sair para garantir que chegará no tempo que você precisa e quer.
  4. Se for a primeira vez que você pedala em Paris, aceite o fato de que você irá se perder, mas não se preocupe. Há lugares lindos na cidade que você não planejava visitar e no desvio do roteiro você poderá encontrá-los. Além disso, se perder pelas ruas de Paris é uma delícia e há estações do Vélib’ (se for o caso) por toda a cidade e também mapas nos pontos de ônibus e nas estações de metrô para você consultar.
  5. Na França, é permitido a carros e motos fazerem cruzamentos que nós brasileiros não vemos nas cidades do Brasil. Fique atento!

Descobrir uma cidade de bicicleta faz você ter uma perspectiva única e apaixonante sobre aquele local e sobre você mesmo. É possível que, a partir do momento em que você viver essa experiência, você se apaixonará pelo que chamamos de cicloturismo.

E que tal aprender a pedalar ou praticar um pouco antes de vir para Paris? 

No Brasil, pessoas têm se mobilizado e organizado para tornar o país tão agradável para quem quiser pedalar quanto cidades referência mundo afora. Um bom exemplo é a Rede Bike Anjo. Formada por mais de 1200 pessoas em 200 cidades, os bike anjos têm feito um serviço incrível à sociedade. Em todo o território nacional, eles têm ensinado pessoas a pedalar e estimulado, com segurança, novos ciclistas a usarem a bicicleta como modo de transporte nas ruas brasileiras.
Caso você queira pedalar em sua cidade antes de vir para Paris, chame um bike anjo:http://bikeanjo.org/. O trabalho dos anjos e anjas é gratuito, estimulante e apaixonante!

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Documentário – Malucos na Estrada II

Há alguns anos, desde que o Catarse foi lançado, tenho adorado investir alguns poucos reais em vários projetos de financiamento coletivo, em diferentes áreas.

Até hoje, quase todos os que apoiei foram executados. Por sorte minha e competência de quem desenvolveu o projeto, o documentário abaixo, o qual tenho orgulho de dizer que apoiei, saiu do papel. Essa, na verdade, é a segunda edição de um projeto que começou com um tamanho e, no seu desenrolar, ficou gigante e lindo.

Uma das minhas alegrias foi ver o autêntico e ainda vivo papel revolucionário da bicicleta na vida desses malucos e no que eles acreditam como sociedade. Em tempos de monocromatização financeira da bicicleta no país, ver tantas cores e a transparência é de emocionar.

Com uma perspectiva única sobre a vida urbana, rural e o interregno de ambas, a estrada, o documentário “Malucos de Estrada II” serve, no mínimo, como uma fundamentada e empírica crítica ao sistema capitalista.

Alguns dos cidadãos e cidadãos que participaram dessa obra de arte têm argumentos dignos de nossa reflexão interna sobre um dos sistemas mais complexos: nós, os seres humanos. Ao longo da narrativa, pontos de vistas orgânicos são apresentados e a história de vida, ou a vida, dess@s maluc@s vai nos envolvendo.

No documentário, eles abordam a forma de extrair determinados materiais para fazer os objetos (colares, brincos e etc), a comunidade (ou tribo) existente, o preconceito que sentem, a violência que existe na estrada, o uso de drogas, a fé e outras tantas coisas que, cotidianamente, vivemos em nossas vidas urbanas, ainda que transvestidas em pastas, sapatos, tenis, mochilas, notebooks e bares.

A cidade que nasci, cresci e morei, Belo Horizonte, foi a primeira a apresentar os problemas institucionais que os malucos podem ter: a Polícia Militar com sua sede de vigilância e sua fome por controle. Uma vergonha não para a PM, que sempre fez e continuará fazendo isso, mas para Belo Horizonte, uma cidade que já foi, outrora, símbolo da cultura livre e da liberdade nos espaços públicos e hoje é símbolo de repre$$ão, higieni$mo e terceirização da gestão e da coisa pública. Ainda que a PMMG esteja sob tutela do estado, o poder municipal tem o costume de usar essa instituição para atender seus anseios nada democráticos.

Uma abordagem não foi feita no documentário e me deixou curioso: o tal sistema tem nas rodovias (e no rodoviarismo) uma de suas principais formas materiais. Transferindo para as cidades, ele, o sistema, materializa-se em grandes avenidas, trincheiras, vias expressas para passar um dos seus maiores e preferidos filhotes: o carro.

Eu gostaria muito de ouvir como @s maluc@s compreendem a relação entre o rodoviarismo, que é parte da morada deles, e o capital, tão criticado por elxs.

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Vá de bicicleta e ganhe até 55 euros por mês

Todo início de mudanças que pretende alterar um modelo social precisa de incentivos constantes e em várias esferas e etapas. No caso das cidades, que têm sido moldadas para os deslocamentos em veículos motorizados e com rodas nos últimos 60 anos, os estímulos para transformá-las em lugares mais justos, democráticos e sustentáveis podem ser individuais e coletivos, políticos, sociais, fiscais, monetários e/ou econômicos. Ou seja, para termos cidades para e de pessoas, é preciso ter políticas, programas, campanhas e ações intersetoriais para tal.

Tendo como premissa que o estímulo econômico é um entre os vários bons caminhos para colaborar com a mudança do modelo urbano de Ilê de France, onde está a Região Metropolitana de Paris, em junho de 2014, o governo local e algumas empresas iniciaram um processo experimental para incentivar pessoas a irem de bicicleta para o trabalho. Como? Pagando elas para fazer isso.

A experiência francesa de pagar para ir ao trabalho de bicicleta

Em 2013, um grupo interministerial para o desenvolvimento do uso da bicicleta realizou uma pesquisa sobre as questões e os impactos da implementação desta medida. O estudo demonstrou viabilidade econômica e seus impactos diretos. Em junho de 2014, para colocar em prática estes resultados, os responsáveis pela pesquisa se juntaram a 18 empresas voluntárias que empregam mais de 10000 pessoas. O experimento durou até o final de novembro do mesmo ano e permitiu colocar em números os impactos constados em um documento síntese. Até o final do primeiro trimestre do presente ano, um estudo mais completo será divulgado pela organização da iniciativa.

No último dia 23 de janeiro, a Ademe (Agence de l’Environnement et de la Maitrise de l’Energie) lançou o primeiro balanço do processo. De pronto, o primeiro resultado foi dobrar o número de pessoas usando a bicicleta nas 18 empresas voluntárias que participam dessa iniciativa. Inicialmente, 2,1% das pessoas dessas organizações iam de bicicleta para o trabalho.

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Em Paris, apenas 3% das pessoas usam bicicleta. A meta da prefeitura é chegar em 15% em 2020.

Metodologia

Os resultados da pesquisa foram baseados em duas enquetes realizadas com os funcionários das empresas. Algumas organizações não responderam às enquetes e por isso os resultados delas não constam no relatório apresentado pela ADEME.

Para nivelar os ganhos, estabeleceram os limites dos valores que os funcionários poderiam receber. Esses valores ficaram entre 30 e 55 euros. Todavia, duas empresas não estabeleceram esse teto.

As organizações ficaram responsáveis por dar 25 centimes (‘centavos de euro’) para cada quilômetro rodado de bicicleta por trabalhador (nos deslocamentos casa-trabalho). Dos mais de 10.000 funcionários dessas empresas, 391 aderiram à campanha apelidada de IKV (l’indemnité kilométrique vélo) e 380 receberam algum benefício.

Para os trabalhadores, esse benefício não era cumulativo ao valor recebido para o deslocamento com transporte coletivo. Caso a pessoa utilizasse bicicleta + transporte coletivo, ela receberia ambos os benefícios, guardadas as proporcionalidades. Todavia, os empregados que usassem bicicletas compartilhadas (Velib’) não teriam direito a receber os 25 centimes. Entretanto, para esse tipo de serviço, os funcionários já têm um tipo de benefício específico.

Os impactos

O primeiro impacto percebido foi multiplicar por dois o número de pessoas que se afirmavam como ciclistas. Inicialmente, eram 200 pessoas. Ao final da pesquisa, eram 419. Você deve estar imaginando “como 419 se 319 pessoas se dispuseram a participar do IKV?”. Os 419 correspondem aos novos ciclistas e a quem, antes da pesquisa, já utilizava a bicicleta para ir ao trabalho e que não quis participar do IKV (39 pessoas). Esse valor corresponde a um aumento de 110%.

Antes da pesquisa, cerca de 2% das pessoas faziam o deslocamento para o trabalho de bicicleta. Após a pesquisa, esse valor subiu para 3,6%. Esse aumento corresponde a 70%.

PS: acima, existem dois dados diferentes. O primeiro diz respeito às pessoas que se consideravam ciclistas declarados. O segundo ao percentual de pessoas que iam de bicicleta para o trabalho.

As pesquisas conseguiram identificar três níveis de prática

  1. os ciclistas regulares que já praticavam antes de aderir ao IKV (pedalam regularmente por cerca de 18 dias por mês);
  2. os ciclistas regulares que não participaram do IKV (pedalam cerca de 16 dias por mês);
  3. novos ciclistas (pedalaram cerca de 11 dias por mês).

Grande parte dos novos ciclistas usavam o transporte coletivo (54%) e uma menor parte o carro (19%). Em sua página 8, o relatório do processo afirma que o IKV tem baixo potencial de fazer as pessoas migrarem do carro para a bicicleta. No entanto, a primeira das duas enquetes aplicadas mostrou um grande interesse de motoristas em se engajar nessa iniciativa (200 das 550 pessoas que mostraram interesse inicial em participar do IVK eram motoristas). O relatório constata que o período de experimentação foi muito curto e que o interesse financeiro foi insuficiente para poder realmente influenciar os motoristas.

O perfil dos interessados em participar da experiência foi traçado. A idade dos participantes era de 35 a 55 anos, sendo 60% homens e 40% mulheres.

O documento publicado no último dia 23 também demonstra as razões para a não utilização da bicicleta. A primeira delas entre os novos e os antigos ciclistas é a meteorologia, seguida por outras.

Os impactos positivos também foram elencados. Entre os novos ciclistas, a melhora na saúde veio em primeiro lugar. Para os ciclistas antigos, a prática e a velocidade são os pontos altos do uso da bicicleta.

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O Velib’, sistema de bicicletas compartilhas da região de Ilê de France, está sendo expandido para a periferia para ajudar na diminuição do uso do carro na Região metropolitana de Paris

Conclusão

O estudo, que ainda será completado com resultados de uma pesquisa mais profunda, conseguiu identificar que a maior vantagem vista pelo uso da bicicleta está na saúde de quem optou em ir trabalhar com esse modo de transporte. Além disso, ele deixou vários pontos de interrogação no ar. Um exemplo disso é a dúvida gerada sobre a eficácia dessa iniciativa econômica em fazer as pessoas optarem pela bicicleta e não pelo automóvel.

Essa iniciativa vai ao encontro e serve de subsídio empírico para o projeto de lei francês que está em tramitação e tem como uma de suas políticas pagar para quem usar bicicleta ‘comum’ ou elétrica.

A síntese pode ser encontrada (em francês) no link: http://goo.gl/NW8Bg7.

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Em Amsterdã, a vida vai a 20…

O número 20 não é a média de idade dos turistas de Amsterdã que querem aproveitar as liberdades da cidade. Em A’DAM, como também é conhecida a cidade, há visitantes de todas as idades, incluindo um sem número de idosos, que querem curtir os prazeres locais. Lá, as pessoas podem visitar encantadoras ruelas, os 165 canais, as 1700 pontes oficiais e mais de 2250 ‘extra oficiais’, as milhares de construções dos séculos XVI, XVII e XVIII, parques, incontáveis museus, bares, pubs, coffeeshops, o distrito de Red Light e tudo mais.

Veja nesse vídeo um pouco sobre o que Amsterdã pode lhe oferecer:

Voltando ao 20, ele também não é o percentual de deslocamentos feitos por bicicleta pela cidade (esse número está quase na casa dos 30%, mas a maior parte dos dados que se encontra por aí não conseguem afirmar precisamente essa quantidade).

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sinalização exclusiva indicando o melhor caminho para o ciclista

Então, que 20 é esse que deu origem ao título desse texto? É a velocidade média em que a vida se passa na capital holandesa. Em Amsterdã, as pessoas em suas bicicletas ditam o ritmo em que o tempo passa, ou seja, a não mais que 20km/h (em geral). Embora a cidade tenha lá suas avenidas cruzando alguns de seus perímetros, a vida se dá, majoritariamente, a velocidades não superiores à capacidade do ser humano de se locomover sozinho.

Na busca por preservar esse movimento de desvelocidade, Amsterdã vem investindo nos espaços compartilhados com duas bases concentuais:

1) a velocidade máxima permitida nesses locais é baixa e igual para os modos de transporte;

2) não há vias separadas para cada tipo de transporte, possibilitando as pessoas que andam a pé a possibilidade de se deslocarem por qualquer lugar para além das calçadas.

Isso significa que as pessoas e modos de transporte convivem num espaço aberto para todos. Em uma espécie de ágora do transporte urbano. Um fórum vivo que alimenta estudos sobre mobilidade, sociologia, geografia, urbanismo e outras tantas áreas do conhecimento com resultados que são exportados para todo o mundo como bons exemplos a serem seguidos.

Estas áreas que priorizam a co[n]vivência fazem parte da nova política de espaços públicos da cidade. Antes, Amsterdã tinha por princípio: acima de 50km/h, separe os diversos modos de transporte em vias segregadas. Com as áreas compartilhadas, a capital holandesa está mudando sua forma de (re)construir os espaços públicos e priorizando o contato visual entre os agentes do trânsito, ou seja, está dando ênfase às desvelocidades, ou velocidades suficientes para que duas ou mais pessoas possam se comunicar através dos olhos ao longo dos seus deslocamentos.

As bicicletas em Amsterdã…

É quase um chavão já falar de bicicletas e Amsterdã, as razões para a cidade ter chegado no seu estágio atual contexto e tudo mais, mas porque ainda é impressionante, gostoso, proveitoso e elucidativo falar de Amsterdã quando o assunto é bicicleta?

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uma mãe sorrindo para a câmera e suas quatro filhas

Apenas 73% dos “Amsterdammers (pessoas que vivem em Amsterdã) têm uma bicicleta, enquanto na Holanda toda esse número está em 88%. No entanto, o número médio de viagens por dia por bicicleta na capital holandesa é de 0.9 deslocamentos por dia. Ou seja, quase todo mundo que tem uma bicicleta na cidade anda nela uma vez por dia! Ilustrando: se essa equação fosse aplicada ao Brasil todo, teríamos algo próximo de 80 milhões de pessoas pedalando todos os dias nas ruas do país!

Outras maravilhas que tornam Amsterdã um lugar sensacional para se pedalar:

 Pontes para ciclistas (e pedestres)

Há inúmeras pontes em Amsterdã feitas exclusivamente para quem caminha e pedala (e algmas motos também…). Inclusive, algumas são levadiças e é preciso esperar os barcos passarem para continuar o trajeto. É curioso ver os congestionamento de pedestres que acontecem quando as pontes estão abertas para os barcos.

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uma das inúmeras pontes para ciclistas

 Estacionamentos para bicicletas

O primeiro impacto é chocante…Saindo da estação central de trem, existem cerca de 4.000 vagas disponíveis em estacionamentos públicos gratuitos. Além desses que são monitorados, a cidade conta com mais 13.000 vagas supervisionadas, mas pagas e incríveis 250.000 paraciclos espalhados pela cidade em formas e tamanhos diferentes. Sim, duzentos e cinquenta mil vagas.

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estacionamento com 4000 vagas e fluxo diário de 9000 bicicletas

Além dos espaços institucionalizados, a cidade conta com os paraciclos naturais do mobiliário urbano (postes, placas, lixeiras e demais objetos nos quais se pode amarrar a magrela). Há também vagas nas quais as bicicletas ficam em pé no descanso. Como uma moto.

Em frente a residências, lojas, escolas, órgãos públicos e outros tipos de serviços é possível encontrar formatos curiosos de paraciclos, bem como os mais comuns.

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mesmo com neve, estacionamento do supermercado lotado de bicicletas

Todos esses espaços parecem muito, mas em Amsterdã não são suficientes mais. No estacionamento público e gratuito, o fluxo é de 9.000 bicicletas por dia. Ou seja, ele precisa ser ampliado e será.

Tod@s pedalam em A’DAM

É bastante comum ver avós, avôs, mães e pais carregando seus netos e filhos nas bicicletas, mulheres e homens com roupas sociais, pessoas com cachorros, amigos e familiares, casais e tudo o que você possa imaginar. Flores, instrumentos de música, outras bicicletas, ferro velho, mochilas…Com criatividade, é possível carregar muita coisa/gente em cima de uma bicicleta.

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duas crianças se divertindo muito enquanto eram levadas por um adulto

Para além da diversidade de pessoas, é possível notar a pluralidade de formatos, tamanhos e cores das bicicletas de lá. É espetacular ver como as pessoas usam a imaginação para dar novas formas e coloridos às magrelas. No entanto, o mais comum é ver as famosas bicicletas holandesas (de uma marcha, guidão alto e quadro baixo).

Ciclo comércio

Você encontra locais para parar sua bicicleta desde os pontos de apoio ao turista, passando por supermercados, ‘padarias’, bares, médicos, hotéis e albergues, até museus e restaurantes caros.

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uma bicicleta que serve de stand com guias para turistas

Uma curiosidade inteligente, mas não exclusiva de Amsterdã ou da Holanda: os hotéis têm frotas enormes de bicicletas para emprestar a quem se hospeda neles. Para além dessa estrutura, é fácil notar como a logística urbana utiliza-se da bicicleta no seu dia a dia. Amsterdã é, como várias, uma cidade abastecida com a magrela.

Estruturas para facilitar a vida do ciclista

Uma cidade amiga do ciclista demonstra isso em pequenos detalhes que facilitam o cotidiano de quem optou pela bicicleta. Em várias das escadas de lá, existem estruturas que tornam mais simples o deslocamento com a magrela.

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facilidade para ciclistas encontrada em várias escadas das cidades

Bicicletas roubadas

É impossível falar de Amsterdã sem comentar das bicicletas e peças furtadas*. Lá, o comércio de cadeados é quente, por conta do alto índice de furtos. U-locks e correntes grossas são os mais usados. Por todo lado, é possível encontrar rodas e quadros sem o resto da bicicleta. Como consequência (ou/e causa, depende do ponto de vista), existe um forte comércio ciclístico ‘paralelo’ na cidade.

Se a pessoa for pega tentando comprar uma bicicleta roubada ela pagará uma multa de 160 euros.

*Certa vez ouvi que existe a diferença legal entre furto e roubo. O que acontece em Amsterdã é que as bicicletas e peças são levadas sem o dono ver.

Algumas observações sobre a circulação de bicicletas na cidade

Legalmente, as bicicletas podem virar à direita com o sinal fechado para os demais modos de transporte. Essa medida, cada dia mais presente em cidades mundo afora, tem por objetivo agilizar o deslocamento do ciclista. Funciona bem e não gera nenhum tipo de conflito com outros modos de transporte e entre ciclistas.

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para bicicletas e uma intervenção nela

Capacetes…Bom…Se eu vi mais de cinco (em adultos), em três dias, foi muito. Para mim, o não uso do capacete é mais um bom indicador sobre como as pessoas encaram a bicicleta naquele local: um veículo seguro e simples de se usar. Quem pilota as mopeds não é obrigado a usar (e não usam) capacete também.

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botão em vários semáforos para ciclistas e pedestres

Boa parte dos semáforos (sinais) da cidade possuem um botão para ciclistas e pedestres apertarem sinalizando que querem que ele fique verde para si.

É interessante, mas é possível que simbolize a prioridade de quem circula nas vias principais (via de regra automóveis e motos) sobre quem anda a pé ou pedala. Digo “é possível” porque eu teria de fazer uma análise mais aprofundada sobre quando esse sistema foi implementado, sua função, estudar o tempo dos sinais e etc.

Barca tarifa zero!

A capital holandesa é dividida por um rio. Para se chegar a Amsterdã do Norte, uma área com vários grandes prédios (inclusive um da Shell), existe a possibilidade de fazer o trajeto em duas barcas que se revezam e saem a cada dez minutos. O melhor disso: a travessia é gratuita. Pessoas caminhando, ciclistas, mopeds e scooters, pequenos carros e vários outros modos de transporte que não ocupam muito espaço podem entrar na barca.

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barca com tarifa zero levando pessoas, bicicletas, scooters e pequenos carros (muito pequenos, mesmo)

Sistema público de bicicletas compartilhadas

Décadas depois do nascimento da ideia (não os sistemas) de bicicletas compartilhadas em Amsterdã, a cidade, agora, possui um sistema moderno e público de bicicletas compartilhadas cuja administração é da companhia de trens da Holanda. A razão do sistema existir em Amsterdã é simples: com uma grande malha ferroviária espalhada pelo país, era preciso dar possibilidade às pessoas de continuarem seus trajetos até onde os trilhos não acessavam. As bicicletas foram escolhidas para tal função.

Amsterdã está longe de ser uma cidade sem defeitos…

Nem tudo é incrível na capital holandesa. O percentual de deslocamentos feitos por automóvel na cidade é quase tão alto quanto o de bicicleta (+- 30%), mas esse número já foi de 39% nos anos 1990 e continua a cair nos dias de hoje. Na cidade, o carro é muito utilizado para deslocamentos cujas distâncias são superiores a 2,5km. Quando elas são maiores que 7,5km, o percentual de viagens feitas de carro a 41%. Para distâncias entre 15 e 20km, esse número chega a quase 70%.

No entanto, como Amsterdã é uma cidade relativamente pequena em termos territoriais, é importante ressaltar que os deslocamentos dentro da cidade são feitos, em sua maioria, de bicicleta, a pé, tram (ou VLT), metrô e ônibus.

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veículo estacionado na ciclovia (ou ciclofaixa, no conceito brasileiro)

Se comparada as demais cidades do país, a capital holandesa não está entre as com maiores índices de pessoas utilizando bicicleta. Amsterdã ainda tem inúmeros desafios (melhorar as estruturas para ciclistas). Ainda é preciso ter atenção ao se pedalar pelas ruas de A’DAM. Um bom termômetro para essa afirmação é o fato das crianças de Amsterdã ainda não poderem pedalar de forma segura, tranquila e independente, como em outras partes do país. No entanto, esse fato gera cenas maravilhosas: avós, avôs, mães, pais, tios e pessoas mais velhas carregando crianças e bebes em bicicletas de inúmeros tipos, cores, tamanhos e modelos.

Um outros problema na cidade é o compartilhamento das pistas cicláveis entre bicicletas e mopeds/scooters. Lá, o uso comum entre bicicletas e scooters funciona em três níveis:

1) Há pistas em que as mopeds e scooters podem andar junto com as bicicletas (e bicicletas elétricas);
2) Outros locais permitem apenas as mopeds e as bicicletas;
3) Há áreas em que só as bicicletas podem circular.

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sinalização para bicicletas e mopeds

Segundo dados do site Bicycle Dutch, o número de mopeds na cidade cresceu 275% nos últimos seis anos. Em 2007 eram 8.000. Em 2013 já contabilizavam 30.000. O problema do compartilhamento entre bicicletas e scooters/mopeds está diretamente relacionado à segurança. Aproximadamente 81% dos condutores desses veículos trafegam acima dos limites de velocidade estabelecidos para eles (25km/h para mopeds e 45km/h para scooters).

Todavia, esse problema pode estar com os dias contados. Recentemente, o Ministro do Transporte enviou uma carta ao “parlamentares” holandeses afirmando que irá mudar a legislação local e que a nova redação permitirá aos governos locais recolarem as mopeds junto com os carros, mediante regulamentação do uso do capacete (atualmente, os condutores desse veículo não precisam usar capacetes). Dessa forma, o ministro afirmou que espera criar espaço suficiente para acomodar o crescente número de ciclistas no país.

Caminhar em Amsterdã? Cada vez menos comum…

Quando é para se deslocar em até 500m, a maior parte das pessoas em Amsterdã caminham (+- 95%) e a até 1km, esse percentual é de 80%. No entanto, caminhar em Amsterdã não é das tarefas mais simples, por conta do alto número de bicicletas, scooters, motos, trams, ônibus, carros e outros motorizados circulando por espaços disputados. Ao pedestre, em vários locais da cidade, restam alguns centímetros de calçadas.

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é comum ver motoristas parados em ciclovias e calçadas de Amsterdã

Nas duas últimas décadas, os deslocamentos feitos a pé em Amsterdã têm sido menos frequentes e atualmente correspondem a apenas 20% dos deslocamentos diários. Esse fato tem preocupado os gestores locais, que já estão reagindo com a remodelagem da cidade para que ela tenha mais espaço para os pedestres, de forma exclusiva ou compartilhada com outros modos de transporte.

De forma geral, as calçadas de Amsterdã são boas e possuem os parâmetros mínimos para incluírem pessoas com deficiência. Um transporte comum por lá são carrinhos para pessoas obesas, idosas ou com dificuldade de locomoção. Neles, elas saem para fazer suas tarefas cotidianas de forma independente e eficiente. É possível ver vários deles estacionados próximos a prédios e casas.

Os barcos de Amsterdã…

Andar em Amsterdã de barco lhe permite ter uma compreensão interessante de como a cidade foi planejada para crescer, há séculos atrás, usando a água como base para produção, consumo e abastecimento de bens e serviços. É impressionante a eficiência e a conexão dos mais de 100km de canais com os demais modos de transporte e com a vida, diurna e noturna, que pulsa nessa linda cidade holandesa.

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do barco, vista do maior estacionamento de bicicletas da cidade

Algumas outras fotos dessa viagem pela capital holandesa podem ser vistas no link: https://www.flickr.com/photos/127473561@N03/sets/72157648179390084.

Texto originalmente postado em Mobilize Europa.

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La Patrimoine – Onde a bicicleta liga o presente ao passado francês

Antes mesmo de contar como foi o passeio, vamos descrever em linhas gerais do que se trata… La Patrimoine é um passeio ciclístico anual que acontece todo mês de setembro desde o ano 2010 nos arredores da capital francesa. Ele reúne ciclistas apaixonados por bicicletas antigas que gostam de trocar experiências, pedalar em conjunto, conversar fiado e, ao final disso, comer bem e tomar uma cerveja artesanal e local. Os organizadores se inspiraram no evento italiano l’Eroica que reúne apaixonados por bicicletas vintage e competidores profissionais e semi-profissionais. Em 2014 rolou a 4ª edição, tivemos o prazer de estar presentes e vamos compartilhar um pouco dessa incrível experiência.

A ida

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Plataforma para ajudar os ciclistas a subirem com suas bicicletas

5:30 – toca o despertador. Hora de acordar e se arrumar para o tão esperado passeio. “Mineiro não perde o trem”: como ficamos com medo de atrasarmos e perdermos a largada, saímos de casa bem cedinho. Pedalamos até a Gare Saint Lazare, uma grande estação de trem na região central de Paris. Ali pegamos um RER (tipo de trem) para a cidade de Tournan en Brie, cidade próxima a Favières, onde aconteceria o evento.

Ao chegarmos à estação, compramos as passagens e descemos as escadas com as bicicletas até a plataforma do trem.

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Ferdinand e as bicicletas no RER

Em poucos minutos foram chegando vários ciclistas com trajes antigos de competidores, penteados elaborados, bigodes enormes, e, como não poderia ser diferente, bicicletas vintage. Embora não fosse obrigado, todos estavam vestidos à caráter para o passeio. Trocamos ideias, fizemos novas amizades, contamos casos e particularidades sobre nossas bicicletas e falamos um pouco de Brasil. Embarcamos. Éramos mais de vinte ciclistas espalhados pelo trem. Apenas no nosso vagão, havia mais de dez e uma criança – Ferdinand, simpático e tímido.

Colocamos as bicicletas facilmente, uma apoiando a outra para não cair. A viagem durou aproximadamente uma hora. Pedalamos mais três quilômetros até Favières, onde estavam concentrados os demais ciclistas.

O passeio

Há dois percursos no La Patrimoine: um grande, de cerca de sessenta e sete quilômetros e um pequeno, de vinte quilômetros. Escolhemos o pequeno, pois não sabíamos como andava nossa resistência e estávamos estreando nossas bicicletas novas, que não são  tão novinhas assim (décadas de 70 e 80).

Ao chegarmos na concentração, fizemos o registro e pegamos nosso kit: bolsinha de pano contendo uma placa de identificação para colocar na bicicleta e uma ficha com espaço para carimbar durante as etapas do percurso.

Como dissemos previamente, a inscrição custou 16 euros por pessoa e nos deu direito ao kit mencionado, ao cafezinho antes da pedalada, a um lanchinho no trajeto (pitstop), a um aperitivo e petiscos depois do passeio e um almoço completo (sem opção específica para vegetarianos, mas podemos comer bem).

O percurso de vinte quilômetros foi tranquilo e agradável. O dia estava lindo, ensolarado e a brisa fresca. O trajeto não possui grandes subidas, o que permite iniciantes e crianças pedalarem sem dificuldades – e foi o caso. As paisagens eram maravilhosas. Cruzamos por vários grupos de ciclistas que estavam treinando em pelotões de 10, 20, 30 pessoas. Embora a maior parte do trajeto tenha sido em uma avenida ou “BR”, os motoristas, em sua totalidade, respeitavam as pessoas que estavam nestas vias com suas bicicletas.

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Participantes do evento socializando

No caminho, paramos em uma feira de antiguidades ao lado de uma igreja medieval e fizemos um lanchinho no pitstop. Os participantes podiam sair, dar uma volta na feira e voltar para o grupo. Durante a parada, os ciclistas, que em sua maioria ja se conheciam, aproveitam o momentos para bater papo e colocar em dia as conversas.

Após um percurso cíclico, chegamos no local da concentração e aproveitamos o aperitivo. Almoçamos logo em seguida em grandes mesas de refeitório. Foi interessante essa disposição das mesas, pois assim, todos comem juntos, as pessoas que não se conhecem sentam perto umas das outras, fazem contatos, trocam ideias e fazem novas amizades.

O concurso e o sorteio de brindes

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Momento do concurso

Depois do almoço houve a entrega dos prêmios para os ciclistas que mais capricharam no visual e que possuíam as bicicletas mais bonitas. Foi um momento muito agradável, de muita brincadeira, zueira, risadas e muita animação. Todo mundo ansioso e curioso na entrega dos prêmios e mais ainda no momento do sorteio. As crianças que participaram ganharam um boné de ciclista. Foi muito legal ver esse estímulo à quem está começando a vida e as pedaladas. Ao final, rolou o sorteio de uma Peugeot vermelha, toda original, da década de 60. Linda.

A volta

Tivemos de um dia muito agradável e feliz, mas era hora de voltar para casa. Depois de muita farra, o grupo foi se dissolvendo pouco a pouco. Entramos em um bonde que estava voltando para a estação em Tournan en Brie para pegarmos o trem de volta para Paris.  Como na ida, o trem estava cheio de ciclistas cansados depois de um dia de pedal, festa e vivência coletiva. Como não poderia ser diferente, o trajeto de trem, na volta, também durou uma hora mais ou menos. Chegamos em Paris, na estação Saint Lazare, e pedalamos de volta para casa.

Obs: na França, a maior parte dos trens intermunicipais e internacionais aceitam bicicletas. As condições para cada tipo de trem é diferente, mas, via de regra, a magrela pode lhe acompanhar na viagem sem o menor risco de ter um câmbio, pedal, guidão ou outra parte danificada.

VÍDEOS DO PASSEIO:

 

Saiba mais acessando o Facebook do evento. Mais fotos podem ser vistas no Flickr e no Google +.

Esse texto é assinado por Guilherme Tampieri e Renata Aiala.

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Um presente para BH: um parque para se pedalar

No início de 2015, a prefeitura de Belo Horizonte dará um singelo, mas representativo, presente aos ciclistas da cidade: a liberação para se pedalar no Parque Ecológico da Pampulha!

Pedalar em parques uma maneira agradável de os conhecer, fazer atividade física, cuidar da saúde, socializar e interagir com um pedaço da cidade, com o espaço público. No entanto, jovens, adultos e idosos foram privados desse prazer em Belo Horizonte, com a proibição do uso da bicicleta nos parques da cidade que já data de longo tempo.

A Portaria nº 11, de 1 de junho de 2004, dispõe sobre as regras para utilização do Parque Ecológico Francisco Lins do Rego. Em 2011, a Lei 10.285, que permite apenas bicicletas de aro 12,14 e 16  em todos os parques da cidade e proíbe as demais, foi sancionada. Em 2013, a Portaria municipal nº 0023/2013 concentrou todas as normativas concernente aos parques municipais administrados pela Fundação Municipal de Parques [FMP]. Coincidentemente ou não, no artigo 4º de ambas as portarias está contida, entre outras, a proibição do uso das bicicletas.

Um parêntese importante: em BH, há parques geridos pela FMP e outros pela Fundação Zoo-Botânica (FZB-BH). Ambas regulamentam as regras dos Parques como acharem melhor, para bem ou para mal.

Um dos parques administrados pela Zoo-Botãnica é o Parque Ecológico da Pampulha [PEP], que possui uma ciclovia interna e há alguns anos empresta bicicletas para circulação interna.

No 1º semestre de 2013, um coletivo de ciclistas chamado Bike Anjo BH se reuniu com a diretoria do PEP para combinar uma atividade conjunta dentro do Parque. Na ocasião, os dois integrantes do Bike Anjo presentes colocaram apenas uma condição para realizarem a ação: que o Parque, no dia 30 de maio [dia da atividade], fosse aberto para toda e qualquer pessoa que quisesse pedalar lá dentro com sua própria bicicleta.

Condição aceita, foram realizadas campanhas de divulgação nas redes sociais e, no dia do evento, houve distribuição de panfletos na orla da Lagoa da Pampulha convidando os ciclistas a pedalarem no PEP.

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Com algum estranhamento e timidez à possibilidade de pedalar dentro do PEP, dezenas de pessoas e nós, bike anjos, desfrutamos daquele dia. Nenhum problema. Pelo contrário, iniciava-se a busca por uma solução. Numa matéria sobre o evento, o Bike Anjo afirmou: “Essa pode ter sido a porta de entrada para que todos os parques abram suas portas para as bicicletas/patins e skate. Para a humanização”.

De lá para cá, foram realizadas mais seis atividades do Bike Anjo no PEP, inclusive na Virada Cultural, sempre com a mesma condição: que as pessoas possam pedalar com suas bicicletas dentro do parque. 263350_4616929476076_393271483_n

No início de 2015, um ano e meio depois daquele 30 de maio, a prefeitura, através da administração do PEP, divulgará uma nova portaria que alterará o regulamento do Parque Ecológico da Pampulha. Nela, após anos de proibição, estará contida a permissão para acessar o PEP com qualquer bicicleta e em qualquer dia.

Mais uma boa pedalada rumo a estimular a abertura completa e geral dos parques da cidade para o uso de bicicleta, patins, skate e patinete e para tornar Belo Horizonte uma cidade mais amiga do ciclista.

O relato e as fotos do evento do dia 30/05/2013 podem ser encontrados aqui.

Caso você queira contribuir para a abertura dos demais parques da cidade, assinea petição online da BH em Ciclo – Associação dos Ciclistasr Urbanos de Belo Horizonte, disponível no link: http://goo.gl/Z5btdO.

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As crianças europeias estão nas ruas novamente!

Texto inicialmente publicado no Mobilize Europa.

Peço liença ao Du Dias para, colaborativamente, utilizar esse espaço do Mobilize Europa para contar um pouco das minhas experiências pelo velho continente.

Cheguei na Europa, especificamente em Paris, para passar uma temporada de um ano. Vim para, entre tantas coisas, estudar as políticas e a gestão da mobilidade urbana na capital francesa e em outras cidades que tenho interesse [Londres, Berlin, Lyon, Viena, Amsterdã, Copenhagen…]. A escolha das cidades se dá pelo fato delas terem algum destaque na promoção do uso da bicicleta enquanto modo de transporte, meu principal foco de pesquisa.

Depois dessa introdução, segue uma rápida apresentação: sou cidadão belo-horizontino e desde os meus 15 anos me locomovo majoritariamente de bicicleta. Quando digo majoritariamente, quero dizer algo próximo de 95% dos meus deslocamentos cotidianos. Não possuo carteira de carro e não tenho paciência para pegar os ônibus que ficam injustamente [muito] engarrafados junto com os 1.100.100 automóveis particulares pelas ruas da capital mineira. Cotidianamente, o metrô e o recém inagurado BRT não me atendem geograficamente. Os outros 4,9999% eu divido entre andar a pé, pegar ônibus, metrô e taxi. Os 0,0001% são relativos a alguma carona.

Ao desembarcar em terras francesas, uma das minhas primeiras ações foi testar o sistema Velib’ [sistema de bicicletas compartilhadas – em breve falarei dele]. Rodando pelas ruas de Paris, me deparei com uma realidade incrível: não, não foram os incríveis 677kms de ciclovias ou ciclorrotas da cidade e nem os inacreditáveis 200 e tantos kms de linhas de metrô mais 115kms de RER. O que realmente me surpreendeu positivamente foi a quantidade de pessoas andando nas ruas da cidade. Por pessoas eu me refiro desde criancinhas em seus primeiros passos a idosos.

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Paris é a 10ª cidade europeia com maior percentual de deslocamentos feitos por pessoas a pé. Das capitais, é a que tem a mais alta: 47%, aproximadamente. Em média, um parisiense efetua 2,17 deslocamentos a pé por dia. As crianças de 5 a 15 anos e os recém aposentados são os que mais caminham [respectivamente, 2,4 e 2,5 deslocamentos/pessoa/dia]. Os jovens entre 15 e 24 anos são os que andam menos a pé [1,7 deslocamento/dia]. Resumindo: as crianças e os idosos são os responsáveis por elevar o número de deslocamentos a pé em Paris.

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Nas cidades motorizadas do século XX e XXI, as crianças perderam o direito delas à cidade. Obrigadas a se locomoverem da mesma forma que seus pais, de coletivo, moto ou carro, elas foram desacostumadas a andar e a viver as e nas ruas. Salvo algumas exceções, as crianças não aproveitam mais as inúmeras delícias de uma cidade, mas apenas passam pelos seus espaços sem tempo de fazer parte dele e senti-lo.

Ainda que as cidades europeias tenham taxas de motorização superiores às brasileiras, é notável que existe respeito entre os agentes do trânsito [pedestres, ciclistas, motoristas, motociclistas e outros – os taxistas também são mais educados que no Brasil, mas continuam sendo um problema para quem opta por andar a pé, de skate, patinete, patins ou bicicleta].

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O respeito mútuo não é qualidade para que se coexista em segurança no trânsito. Ele é condição fundamental. É Basilar. Sem ele, certamente, as ruas europeias seriam mais perigosas que as brasileiras, pelo número de automóveis. Na ausência desse fundamento, as crianças daqui não andariam tanto em seus lindos e pequeninos patinetes, bicicletinhas e acompanhando as mães, pais, tios, avós em bicicletas [e também em patinetes!].

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Esse movimento poderoso de retomada pelo espaço público por parte das crianças foi iniciado lá na década de 60, pelas crianças do bairro holandês de Pijp, que começaram a questionar outras cidades possíveis dentro da desgastada e motorizada Amsterdã. O resultado dessa ação infantil e outras tantas ligadas à contracultura resultaram na transformação do espaço urbano da capital holandesa para o que conhecemos hoje: índices altos de pessoas andando e, sobretudo, pedalando. Crianças, jovens, adultos e idosos vivendo e sendo a cidade.

JpegUm exemplo notável: na porta de todas as escolas parisienses a velocidade máxima é30km/h, quando não 20km/h. Elas estão dentro das Zones 30 ou Zones de Rencontre.

Além disso, as relações sociais no velho continente no trânsito, espaço de conflitos recorrentes, também se alterou. À despeito de ainda haver tanta falta de educação e outras agressões ainda mais graves, os motoristas, motociclistas, ciclistas e outros indivíduos que transitam pela cidade têm compreendido que na ordem de preferências o primeiro lugar é das pessoas. É da vida.

PS: é incrível ver o orgulho que as crianças têm dos seus patinetes e bicicletas!

Abaixo mais algumas fotos de crianças e seus divertidos e eficientes modos de transporte:

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Protocolo de Sorocaba: por um Brasil mais receptivo aos ciclistas

O Protocolo de Sorocaba é o primeiro acordo que busca articular, mobilizar e engajar ciclistas, organizações privadas e o poder público na busca por desenvolver mecanismos sociais, econômicos e políticos capazes de efetuar mudanças significativas, a médio e longo prazo, no sentido de tornar o Brasil um país receptivo a quem optar pelo uso da bicicleta enquanto modo de transporte.

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O Protocolo emergiu de uma antiga necessidade de se articular os interessados, dos três setores, para criação de uma agenda política para promoção e fomento da bicicleta nos municípios brasileiros. Dessa lacuna, surgiu a ideia de se criar um documento que tornasse público o comprometimento dos seus signatários com os pontos nele elencados. Assim foi feito.

Redigido de forma compartilhada e colaborativa (ciclistas e pessoas ligadas a empresas do setor de bicicletas), o Protocolo teve a redação aprovada e seu conteúdo anunciado no último dia 21 de novembro, durante a Shimano Fest, evento com foco nos diversos usos da bicicleta, na cidade de Sorocaba. No Congresso Mobilidade, que aconteceu no encerramento do evento, o Protocolo foi discutido por pessoas que vêm defendendo o uso da bicicleta no país há vários anos. Nas palavras de André Soares, Diretor Presidente da União de Ciclistas do Brasil – UCB, “o Protocolo é importante porque propõe um compromisso multissetorial, valorizando e buscando iniciativas da sociedade civil, da iniciativa privada e do poder público, demonstrando que quem o assinar compreende que a democratização da mobilidade urbana cabe a toda a sociedade”.

Por que se articular? No Brasil e pelos quatro cantos do mundo, as cidades e as pessoas vêm sofrendo com o excesso de automóveis, poluição do ar, aumento da temperatura, transportes coletivos cheios, concentração de trabalho em poucas áreas da cidade, moradias distantes dos empregos, exclusão sócio-territorial, problemas ambientais, políticos, sociais e econômicos e as consequências disso tudo na saúde pública.

Em contrapartida, tem-se um grande leque de soluções apresentadas por essas mesmas cidades para iniciar a resolução dessas questões. Todas elas passam por um ponto: articulação, mobilização e ação coletiva dos diversos atores envolvidos em causas específicas e esse é o fator chave do Protocolo de Sorocaba, quando ele elenca responsabilidades para cada um signatários, em suas diversas áreas e contextos de atuação e para todos juntos.

Em sua primeira parte, O Protocolo dá o contexto no qual ele foi elaborado. Em seguida, apresenta o atual cenário do uso da bicicleta enquanto modo de transporte e instrumento de democratização urbana e sócio-territorial. Após isso, ele elenca as responsabilidades de cada um dos três setores (empresas, poder público e organizações da sociedade civil). Ao final do Protocolo, estão listas as seguintes ações para os signatários fazerem conjuntamente:

1) Aprofundar as maneiras de relacionamento mútuo para o alcance dos objetivos comuns;

2) Sensibilizar a sociedade e buscar a ampliação constante de entes signatários e comprometidos com este Protocolo;

3) Aprofundar e ampliar o debate sobre este Protocolo visando o ajuste de interesses e o detalhamento de seus itens, de modo a aprimorar sua aplicabilidade, capilaridade e eficácia;

4) Criar Comitê Gestor do Protocolo de Sorocaba, com um representante de cada setor, para difundi-lo socialmente, administrar seus desdobramentos e organizar os futuros encontros dos setores sociais que lhe dão sustentação, sendo o próximo no ano de 2015.

Enquanto alguém que estuda e se interessa pela mobilidade urbana, em especial por bicicletas, entendo que o Protocolo teve a função de dar um primeiro passo, ainda tímido, no sentido de unir quem está envolvido com a promoção da bicicleta no Brasil em espaços que ainda não convergem. A partir daí, esses atores poderão se capacitar, alinhar seus discursos às práticas cotidianas e incidir politicamente para pautar a bicicleta e fazer com que ela seja cada vez mais aceita como um modo de transporte perfeitamente utilizável nos municípios brasileiros, de norte a sul, de leste a oeste.

Mais detalhes e o texto do Protocolo de Sorocaba podem ser lidos em: http://www.uniaodeciclistas.org.br/atuacao/protocolo-de-sorocaba/.

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Texto inicialmente publicado em Brasil Post.

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CycloCable, o único elevador de bicicletas do mundo!

Ok, talvez não seja o único elevador de bicicletas no mundo, como diz o site do desenvolvedor, mas certamente é um dos melhores!

Tem muita cidade do Brasil que merecia um desses, não? Uma solução simples, barata e extremamente útil para quem tem que cruzar ladeiras ao longo dos seus trajetos sem fazer muito esforço.

Em Brubakken Hill, um bairro da cidade de Trondheim, na Noruega, os habitantes não têm problemas para subir uma das ladeiras da cidade desde 1993! Por quê? Eles implantaram o o Trampe, um elevador de bicicletas que permite você subir ladeiras sem descer da bicicleta. Basta colocar o pé numa plataforma e ele fará o resto por você. Até seis pessoas podem utilizá-lo ao mesmo tempo.

Está de patinete? Com carrinho de bebê? De skate? Também rola!

Sua cidade precisa de um assim?

Vídeo em inglês, mas as imagens são suficiente para entendê-lo. =)

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La Patrimoine – Onde a bicicleta liga o presente ao passado

Antes mesmo de contar como foi o passeio, vamos descrever em linhas gerais do que se trata… La Patrimoine é um passeio ciclístico anual que acontece todo mês de setembro desde o ano 2010 nos arredores da capital francesa. Ele reúne ciclistas apaixonados por bicicletas antigas que gostam de trocar experiências, pedalar em conjunto, conversar fiado e, ao final disso, comer bem e tomar uma cerveja artesanal e local. Os organizadores se inspiraram no evento italiano l’Eroica que reúne apaixonados por bicicletas vintage e competidores profissionais e semi-profissionais. Em 2014 rolou a 4ª edição, tivemos o prazer de estar presentes e vamos compartilhar um pouco dessa incrível experiência.

A ida

5:30 – toca o despertador. Hora de acordar e se arrumar para o tão esperado passeio. “Mineiro não perde o trem”: como ficamos com medo de atrasarmos e perdermos a largada, saímos de casa bem cedinho. Pedalamos até a Gare Saint Lazare, uma grande estação de trem na região central de Paris. Ali pegamos um RER (tipo de trem) para a cidade de Tournan en Brie, cidade próxima a Favières, onde aconteceria o evento.

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Foto: Guilherme Tampieri

Ao chegarmos à estação, compramos as passagens e descemos as escadas com as bicicletas até a plataforma do trem. Em poucos minutos foram chegando vários ciclistas com trajes antigos de competidores, penteados elaborados, bigodes enormes, e, como não poderia ser diferente, bicicletas vintage. Embora não fosse obrigado, todos estavam vestidos à caráter para o passeio. Trocamos ideias, fizemos novas amizades, contamos casos e particularidades sobre nossas bicicletas e falamos um pouco de Brasil. Embarcamos. Éramos mais de vinte ciclistas espalhados pelo trem. Apenas no nosso vagão, havia mais de dez e uma criança – Ferdinand, simpático e tímido. Colocamos as bicicletas facilmente, uma apoiando a outra para não cair. A viagem durou aproximadamente uma hora. Pedalamos mais três quilômetros até Favières, onde estavam concentrados os demais ciclistas.

O passeio

Há dois percursos no La Patrimoine: um grande, de cerca de sessenta e sete quilômetros e um pequeno, de vinte quilômetros. Escolhemos o pequeno, pois não sabíamos como andava nossa resistência e estávamos estreando nossas bicicletas novas, que não são  tão novinhas assim (décadas de 70 e 80).

Ao chegarmos na concentração, fizemos o registro e pegamos nosso kit: bolsinha de pano contendo uma placa de identificação para colocar na bicicleta e uma ficha com espaço para carimbar durante as etapas do percurso.

Como dissemos previamente, a inscrição custou 16 euros por pessoa e nos deu direito ao kit mencionado, ao cafezinho antes da pedalada, a um lanchinho no trajeto (pitstop), a um aperitivo e petiscos depois do passeio e um almoço completo (sem opção específica para vegetarianos, mas podemos comer bem).

O percurso de vinte quilômetros foi tranquilo e agradável. O dia estava lindo, ensolarado e a brisa fresca. O trajeto não possui grandes subidas, o que permite iniciantes e crianças pedalarem sem dificuldades – e foi o caso. As paisagens eram maravilhosas. Cruzamos por vários grupos de ciclistas que estavam treinando em pelotões de 10, 20, 30 pessoas. Embora a maior parte do trajeto tenha sido em uma avenida ou “BR”, os motoristas, em sua totalidade, respeitavam as pessoas que estavam nestas vias com suas bicicletas.

No caminho, paramos em uma feira de antiguidades ao lado de uma igreja medieval e fizemos um lanchinho no pitstop. Os participantes podiam sair, dar uma volta na feira e voltar para o grupo. Durante a parada, os ciclistas, que em sua maioria ja se conheciam, aproveitam o momentos para bater papo e colocar em dia as conversas.

Após um percurso cíclico, chegamos no local da concentração e aproveitamos o aperitivo. Almoçamos logo em seguida em grandes mesas de refeitório. Foi interessante essa disposição das mesas, pois assim, todos comem juntos, as pessoas que não se conhecem sentam perto umas das outras, fazem contatos, trocam ideias e fazem novas amizades.

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Foto: Renata Aiala

O concurso e o sorteio de brindes

Depois do almoço houve a entrega dos prêmios para os ciclistas que mais capricharam no visual e que possuíam as bicicletas mais bonitas. Foi um momento muito agradável, de muita brincadeira, zueira, risadas e muita animação. Todo mundo ansioso e curioso na entrega dos prêmios e mais ainda no momento do sorteio. As crianças que participaram ganharam um boné de ciclista. Foi muito legal ver esse estímulo à quem está começando a vida e as pedaladas. Ao fina, o sorteio de uma Peugeot vermelha, toda original, da década de 60. Linda.

A volta

Tivemos de um dia muito agradável e feliz, mas era hora de voltar para casa. Depois de muita farra, o grupo foi se dissolvendo pouco a pouco. Entramos em um bonde que estava voltando para a estação em Tournan en Brie para pegarmos o trem de volta para Paris.  Como na ida, o trem estava cheio de ciclistas cansados depois de um dia de pedal, festa e vivência coletiva. Como não poderia ser diferente, o trajeto de trem, na volta, também durou uma hora mais ou menos. Chegamos em Paris, na estação Saint Lazare, e pedalamos de volta para casa.

Obs: na França, a maior parte dos trens intermunicipais e internacionais aceitam bicicletas. As condições para cada tipo de trem é diferente, mas, via de regra, a magrela pode lhe acompanhar na viagem sem o menor risco de ter um câmbio, pedal, guidão ou outra parte danificada.

Saiba mais acessando o Facebook. Mais fotos podem ser vistas no Flickr e no Google +.

Esse texto é assinado por Guilherme Tampieri e Renata Aiala.

Texto originalmente postado em http://bikeelegal.com/noticia/1609/la-patrimoine-%E2%80%93-onde-a-bicicleta-liga-o-presente-ao-passado.

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Mais rodovias…exclusivas para bicicletas!

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Isso é uma rodovia com canteiro central verdinho? Não!

Isso é uma nova avenida numa cidade qualquer? Não!

Isso é uma autorrota (rodovia) europeia…EXCLUSIVA para bicicletas!

Para promover mais ainda o ciclismo, os belgas resolveram criar três VÉLOTOROUTES que terão, juntas, um total 600 km sem obstáculos! O nome vem da soma de “vélo” (bicicleta ) e autoroutes (rodovias).

A previsão é que em 2018 elas já estejam funcionado.

PS: estima-se que a velocidade média será de 30km/h.

Fonte: blog.velib.paris.fr/

*texto também publicado no Facebook do Bike Anjo.

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