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8 de março de 2020: homens, escutemos e ajamos. Hoje.

Por Guilherme Tampieri

Hoje é o dia 8 de março, o Dia Internacional das Mulheres, um dia específico para marcar as conquistas históricas, e contemporâneas, das mulheres, com muita luta, violências e mortes. 

E quem foi que lutou? E quem violentou? A resposta à primeira pergunta: as mulheres, individual e coletivamente, local e internacionalmente. A resposta à segunda: homens.

Nesse contexto, o que nós, homens, podemos fazer neste 8 de março?

As matérias de jornais que vimos ao longo de 2019 e 2020 são assustadoras e mostram que a luta de séculos das mulheres ainda é necessária, urgente, e que nós, homens, coletiva e individualmente, temos responsabilidades a cumprir. 

Manchetes trazem “assassinatos de mulheres cresceram 250% em 2019”, “Mulher é morta dentro de casa”, “Mulher morre depois de ser esfaqueada em bar de BH”, entre outras barbaridades, via de regra ligadas a um homem assassino. Em inúmeros casos, o assassino era alguém próximo, muito próximo da vítima, um pai, marido, namorado…

Qual de nós, homens, cresceu sem ouvir ou mesmo vivenciar algum caso de violência contra mulheres próximas a nós,? Nossas mães, irmãs, tias, amigas, namoradas.

Neste 8 de março, a primeira ação que podemos levar adiante é: pensar sobre como temos agido com as mulheres próximas e também as mais distantes, em todos os âmbitos das nossas vidas. Cabe a nós, também, exercermos uma escuta-forte com relação ao que elas nos dizem. Escuta-forte é aquele momento em que paramos para ouvir, de fato, de corpo e alma, o que nos está sendo dito. E, a partir daí, refletirmos, de forma sincera (e isso pode ser dolorido) nosso papel no mundo. Cabe a nós, homens, também conversar com os amigos e outros homens, não nos omitirmos quando vermos um conhecido falando/fazendo algo violento/machista. 

Quando as ouvimos de fato, escutamos que o “fiu, fiu” na rua é um ato violento, violentíssimo, por vezes. Escutamos que cortá-las em conversas de mesa de jantar, de bar e mesmo em reuniões de trabalho é parte do machismo. Ao longo das nossas vidas, a sociedade, machista, nos fez acreditar que silenciar as mulheres era algo comum, espontâneo. Não é. 

Quando as escutamos, aprendemos que a violência contra as mulheres não é natural, embora tenha sido, no passar dos séculos, naturalizada. E que há muitos e muitos anos, há séculos, as mulheres pretas, indígenas, quilombolas, brancas, entre outras, vêm lutando, dentro dos seus lares, dos trabalhos, em grupos e individualmente, para que essa violência deixe de ser naturalizada e, mais adiante, deixe de existir. 

A morte de uma mulher por feminicídio (morrer por ser mulher), como as manchetes dos jornais nos mostram, é um pouco a morte de todas as mulheres. É um pouco a nossa morte como sociedade. E nós, homens e mulheres, podemos e, acredito eu, devemos, escolher viver. E a vida passa necessariamente, amigOs, por respeitarmos, radicalmente, a posição das mulheres. A morte, no entanto, é o extremo da escala da violência, que está também na privação de bens, manipulação psicológica, ameaças, objetificação do corpo das mulheres, entre outras

Nenhum de nós nasceu sabendo como lidar com o mundo em que vivemos. No entanto, é escolha nossa aprendermos a sermos homens mais sensíveis, respeitosos, sinceros com as mulheres e, sobretudo, com nós mesmos. A vida bruta, de ‘macho’, de não chorar, é pesada demais. E a gente precisa ser leve, a gente pode ser leve, para voarmos para onde quisermos, respeitando integralmente o próximo, a próxima. 

Homens, que a cada 8 de março estejamos mais preparados para vivermos numa sociedade equânime, em que mulheres, homens e pessoas de gênero não binário possam ser quem bem entenderem, trabalharem no que lhes for interessante, amarem quem e o que desejarem. 

Às mulheres, neste 8 de março, fica o meu agradecimento por nos ensinarem tanto, desde o que dia nascemos, e por lutarem para nos mostrar que só existe justiça social, e justiça ambiental, se vocês estiverem em postos, cargos e profissões que historicamente lhes foi negada, inclusive, e especialmente, à força, na violência. Profissões como as das mulheres que decodificaram o coronavírus, cargos como o da jovem líder climática Greta e da Prefeita de Paris, referência no combate institucional às mudanças do clima e na melhoria da qualidade do ar. Posições como a da líder global Vandana Shiva e também das catadoras de Belo Horizonte, presidentes de cooperativas de catadoras e catadores. Entre todas as outras mulheres e suas profissões: professoras, turismólogas, psicólogas, arquitetas e urbanistas, pesquisadoras, jornalistas, zeladoras, fisioterapeutas, etc…

Que a luta siga, cada vez com mais gente, homens e mulheres, rumo a um mundo em que a equidade esteja e seja universal.

Abaixo, duas fotos de dois quadros, em sequência. A primeira, denominada “a morte do pecador” e retrata a morte de uma mulher e a segunda, “A morte do justo”. Sinta-se à vontade para reparar os detalhes de cada uma das imagens.

A morte do pecador

A morte do justo

 

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