Arquivo da categoria: Cicloturismo

2ª Cicloexpedição em BH | fotos

Ontem, 1 de maio, aconteceu a segunda edição da Cicloexpedição, uma pedalada que tem por objetivo fazer com que conheçamos particularidades belo-horizontinas que estão fora da rotina das pessoas que, como eu, circulam, via de regra, pela região central da cidade.

Na de ontem, mais de 60 pessoas fizeram um trajeto de aproximadamente 10 quilômetros pelas margens do Ribeirão da Onça, até pararmos em uma pracinha próxima a uma das dezenas (talvez centenas!) de nascentes da região.

Ao longo do caminho e no ponto final, recebemos boas doses de cultura e informação sobre a história do Ribeirão, dos moradores locais e de fluxos e processos políticos que fizeram a cidade envenenar suas águas. Fizeram a cidade se envenenar. Ao mesmo tempo, também tivemos acesso a pessoas e organizações/movimentos sociais que vêm lutando para seguir o fluxo contrário de intoxicar nossas águas, escolhido pelas últimas gestões municipais. Essas pessoas têm trabalhado para tornar a Onça um ribeirão mais limpo, agradável e, também, banhável!

Algumas fotinhas do rolé estão abaixo.

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Outras podem ser encontradas AQUI.

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Paris de bicicleta: como pedalar com segurança

Texto originalmente postado em Conexão Paris.

Pedalar pode ser um ato político, uma forma de se exercitar, uma atividade preventiva a doenças, um esporte, um lazer, uma escolha para se deslocar, uma maneira agradável de conhecer novos lugares, entre outras inúmeras possibilidades prazerosas, saudáveis, limpas e econômicas.

Conhecer uma cidade pedalando é uma das mais inteligentes e deliciosas experiências que uma pessoa pode ter. Em Paris não é diferente. Em cima de uma bicicleta, explorar as lindas ruas, pontes, os 20 arrondissements, conhecer a Torre Eiffel, a parte externa do Louvre, a Champs-Élysées, ir a bares e restaurantes e todos os outros belos e interessantes símbolos da cidade, é uma aventura prazerosa, agradável e marcante.

Como no Brasil, as cidades francesas, incluindo Paris, possuem regras específicas para quem quiser pedalar. São simples, mas precisam ser seguidas para sua pedalada não se tornar um problema e/ou uma multa de algumas dezenas de euros.

Antes de falar sobre as sinalizações e dar dicas de como pedalar pela Cidade Luz, seguem algumas informações que lhe situarão sobre como Paris está com relação ao incentivo do uso da bicicleta.

A última atualização oficial, de 2013, apontou que a cidade possuía mais de 730 kms de vias para ciclistas divididas entre ciclovias na rua e na calçada, pistas compartilhadas com ônibus com velocidade limitada para garantir a segurança do ciclista e o duplo sentido ciclável. Minha experiência de pedalar por Paris todos os dias me deixa afirmar que, via de regra, os motoristas de ônibus são bastante corteses com os ciclistas, especialmente com os que usam o Vélib’.

Você deve estar se perguntando: o que é duplo sentido ciclável? Os chamados “doubles sens cyclabes” são ruas nas quais é permitido somente ao ciclista trafegar no contrafluxo. Onde existe tal permissão, a sinalização é feita por placas e pinturas nas ruas.. Há também as placas que regulamentam o avanço do sinal vermelho somente para ciclistas, como a foto abaixo. Quando encontrar essa placa, repare o sentido da seta, veja se está vindo algum outro veículo e siga seu percurso.

Exemplo de sinalização para ciclistas em Paris

O Vélib’

Vélib’ é o nome do sistema de bicicletas compartilhadas de Paris. Ele é reconhecidamente um dos melhores sistemas do mundo e possui cerca de 1.600 estações e quase 20.000 bicicletas espalhadas por Paris e na periferia da cidade.

Com 1,70 euros, você pode ter acesso ao sistema por um dia. A tarifa para uma semana é de 8 euros. Para o passe anual, é interessante consultar o site do sistema.  Com esse passe, você pode usar, com limite de tempo de 30 a 45 minutos, quantas vezes quiser o sistema ao longo do dia/semana/ano. Após os 30 minutos, você precisa depositar a bicicleta numa estação, esperar alguns minutos (cerca de três) e pegar novamente.

Vélib, as biciletas para aluguel da Prefeitura de Paris

O maior desafio de pedalar em uma nova cidade é a falta de conhecimento sobre o território e o trânsito da cidade: onde virar, quando seguir, onde parar, quais placas são para o ciclista, como os motoristas e motociclistas se comportam, quais as regras e etc.

Saber quais sinalizações são dedicadas aos ciclistas é um bom instrumento para se pedalar com mais segurança. Abaixo estão as sinalizações básicas que o ciclista precisa saber para pedalar em Paris ciente das regras básicas. Ao contrário do Brasil, em Paris a sinalização proibitiva aos ciclistas está em vermelho e a permissiva em azul.

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Indica que o local é uma pista ciclável (piste ou bande) aconselhada e reservada às bicicletas* e proibida aos motoristas e pedestres de transitar e parar.

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Fim da pista ciclável indicada acima.

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Direção aconselhada às bicicletas.

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Ao contrário do Brasil, essa placa quer dizer “Acesso interditado às bicicletas”.

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Circulação proibida para todos os tipos de veículos.

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Via reservada à circulação de transportes coletivos e bicicleta. Sem essas placas, a circulação dos ciclistas é proibida nas pistas dos ônibus.

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Indica que o local é uma via ciclável (piste ou bande) obrigatória para as bicicletas.

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Fim da pista indicada na placa acima.

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Contrafluxo (duplo sentido) permitido aos ciclistas.

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Proibido ir no contrafluxo, exceto o ciclistas. Observação: em Paris, cada dia mais há essas placas que permitem as ciclistas circular onde é contramão aos demais veículos. Andar nessas contramãos ajudam a encurtar o caminho.

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Esse símbolo é da Zone de Rencontre. Essas zonas são ruas ou conjunto de ruas que têm por objetivo dar segurança e prioridade a quem anda a pé e de bicicleta e fazem parte de uma nova legislação francesa. Nelas, os pedestres podem circular sobre a rua e têm a prioridade sobre todos os veículos (incluindo a bicicleta), à exceção do tramway.As bicicletas podem circular nos dois sensos nessas zonas. Há também as Zone 30, ou Zonas 30, que têm objetivo similar à Zone de Rencontre, mas com limite máximo de 30km/h.

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Fim da Zone de Rencontre.

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Placa que informa ao ciclista a kilometragem restante para determinados locais da cidade. Com elas, você pode se orientar para ir ao ponto X ou Y.

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Rota reservada exclusivamente para a circulação de pedestres, bicicletas, patinetes, skates e pessoas à cavalo.

* na lei, o termo correto é ciclos, ou seja, as bicicletas de duas ou três rodas e não os ciclistas.

Cinco observações:

  1. Você pode chegar em todos os pontos turísticos da cidade pedalando!
  2. Cerca de ⅓ das ruas de Paris possuem velocidade máxima de 20km/h ou 30km/h. Isso lhe dará segurança para pedalar por elas e lhe fará compreender a importância de compartilhar a rua com os demais usuários (motoristas, motociclistas e etc).
  3. Planeje bem a sua rota antes de sair para garantir que chegará no tempo que você precisa e quer.
  4. Se for a primeira vez que você pedala em Paris, aceite o fato de que você irá se perder, mas não se preocupe. Há lugares lindos na cidade que você não planejava visitar e no desvio do roteiro você poderá encontrá-los. Além disso, se perder pelas ruas de Paris é uma delícia e há estações do Vélib’ (se for o caso) por toda a cidade e também mapas nos pontos de ônibus e nas estações de metrô para você consultar.
  5. Na França, é permitido a carros e motos fazerem cruzamentos que nós brasileiros não vemos nas cidades do Brasil. Fique atento!

Descobrir uma cidade de bicicleta faz você ter uma perspectiva única e apaixonante sobre aquele local e sobre você mesmo. É possível que, a partir do momento em que você viver essa experiência, você se apaixonará pelo que chamamos de cicloturismo.

E que tal aprender a pedalar ou praticar um pouco antes de vir para Paris? 

No Brasil, pessoas têm se mobilizado e organizado para tornar o país tão agradável para quem quiser pedalar quanto cidades referência mundo afora. Um bom exemplo é a Rede Bike Anjo. Formada por mais de 1200 pessoas em 200 cidades, os bike anjos têm feito um serviço incrível à sociedade. Em todo o território nacional, eles têm ensinado pessoas a pedalar e estimulado, com segurança, novos ciclistas a usarem a bicicleta como modo de transporte nas ruas brasileiras.
Caso você queira pedalar em sua cidade antes de vir para Paris, chame um bike anjo:http://bikeanjo.org/. O trabalho dos anjos e anjas é gratuito, estimulante e apaixonante!

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De Paris a Londres em bicicletas e patins…

Um grupo de seis amigos mais uma criança resolveram fazer uma viagem de Paris até Londres.

Em uma aventura de aproximadamente 400kms, eles usaram patins, bicicletas e um reboque em uma das magrelas que servia como ‘casa’ da criança. Nenhum deles havia feito cicloviagens (ou patinsviagens) e tão pouco se prepararam fisicamente para tal. Esse curto documentário, de 14 minutos, é mais uma demonstração do quanto a bicicleta pode ser um instrumento simples e prático de ser usado.

O vídeo está em francês, mas as feições, gestos, paisagens e imagens o fazem entender, mesmo para quem não compreende a língua francesa.

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Em Amsterdã, a vida vai a 20…

O número 20 não é a média de idade dos turistas de Amsterdã que querem aproveitar as liberdades da cidade. Em A’DAM, como também é conhecida a cidade, há visitantes de todas as idades, incluindo um sem número de idosos, que querem curtir os prazeres locais. Lá, as pessoas podem visitar encantadoras ruelas, os 165 canais, as 1700 pontes oficiais e mais de 2250 ‘extra oficiais’, as milhares de construções dos séculos XVI, XVII e XVIII, parques, incontáveis museus, bares, pubs, coffeeshops, o distrito de Red Light e tudo mais.

Veja nesse vídeo um pouco sobre o que Amsterdã pode lhe oferecer:

Voltando ao 20, ele também não é o percentual de deslocamentos feitos por bicicleta pela cidade (esse número está quase na casa dos 30%, mas a maior parte dos dados que se encontra por aí não conseguem afirmar precisamente essa quantidade).

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sinalização exclusiva indicando o melhor caminho para o ciclista

Então, que 20 é esse que deu origem ao título desse texto? É a velocidade média em que a vida se passa na capital holandesa. Em Amsterdã, as pessoas em suas bicicletas ditam o ritmo em que o tempo passa, ou seja, a não mais que 20km/h (em geral). Embora a cidade tenha lá suas avenidas cruzando alguns de seus perímetros, a vida se dá, majoritariamente, a velocidades não superiores à capacidade do ser humano de se locomover sozinho.

Na busca por preservar esse movimento de desvelocidade, Amsterdã vem investindo nos espaços compartilhados com duas bases concentuais:

1) a velocidade máxima permitida nesses locais é baixa e igual para os modos de transporte;

2) não há vias separadas para cada tipo de transporte, possibilitando as pessoas que andam a pé a possibilidade de se deslocarem por qualquer lugar para além das calçadas.

Isso significa que as pessoas e modos de transporte convivem num espaço aberto para todos. Em uma espécie de ágora do transporte urbano. Um fórum vivo que alimenta estudos sobre mobilidade, sociologia, geografia, urbanismo e outras tantas áreas do conhecimento com resultados que são exportados para todo o mundo como bons exemplos a serem seguidos.

Estas áreas que priorizam a co[n]vivência fazem parte da nova política de espaços públicos da cidade. Antes, Amsterdã tinha por princípio: acima de 50km/h, separe os diversos modos de transporte em vias segregadas. Com as áreas compartilhadas, a capital holandesa está mudando sua forma de (re)construir os espaços públicos e priorizando o contato visual entre os agentes do trânsito, ou seja, está dando ênfase às desvelocidades, ou velocidades suficientes para que duas ou mais pessoas possam se comunicar através dos olhos ao longo dos seus deslocamentos.

As bicicletas em Amsterdã…

É quase um chavão já falar de bicicletas e Amsterdã, as razões para a cidade ter chegado no seu estágio atual contexto e tudo mais, mas porque ainda é impressionante, gostoso, proveitoso e elucidativo falar de Amsterdã quando o assunto é bicicleta?

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uma mãe sorrindo para a câmera e suas quatro filhas

Apenas 73% dos “Amsterdammers (pessoas que vivem em Amsterdã) têm uma bicicleta, enquanto na Holanda toda esse número está em 88%. No entanto, o número médio de viagens por dia por bicicleta na capital holandesa é de 0.9 deslocamentos por dia. Ou seja, quase todo mundo que tem uma bicicleta na cidade anda nela uma vez por dia! Ilustrando: se essa equação fosse aplicada ao Brasil todo, teríamos algo próximo de 80 milhões de pessoas pedalando todos os dias nas ruas do país!

Outras maravilhas que tornam Amsterdã um lugar sensacional para se pedalar:

 Pontes para ciclistas (e pedestres)

Há inúmeras pontes em Amsterdã feitas exclusivamente para quem caminha e pedala (e algmas motos também…). Inclusive, algumas são levadiças e é preciso esperar os barcos passarem para continuar o trajeto. É curioso ver os congestionamento de pedestres que acontecem quando as pontes estão abertas para os barcos.

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uma das inúmeras pontes para ciclistas

 Estacionamentos para bicicletas

O primeiro impacto é chocante…Saindo da estação central de trem, existem cerca de 4.000 vagas disponíveis em estacionamentos públicos gratuitos. Além desses que são monitorados, a cidade conta com mais 13.000 vagas supervisionadas, mas pagas e incríveis 250.000 paraciclos espalhados pela cidade em formas e tamanhos diferentes. Sim, duzentos e cinquenta mil vagas.

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estacionamento com 4000 vagas e fluxo diário de 9000 bicicletas

Além dos espaços institucionalizados, a cidade conta com os paraciclos naturais do mobiliário urbano (postes, placas, lixeiras e demais objetos nos quais se pode amarrar a magrela). Há também vagas nas quais as bicicletas ficam em pé no descanso. Como uma moto.

Em frente a residências, lojas, escolas, órgãos públicos e outros tipos de serviços é possível encontrar formatos curiosos de paraciclos, bem como os mais comuns.

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mesmo com neve, estacionamento do supermercado lotado de bicicletas

Todos esses espaços parecem muito, mas em Amsterdã não são suficientes mais. No estacionamento público e gratuito, o fluxo é de 9.000 bicicletas por dia. Ou seja, ele precisa ser ampliado e será.

Tod@s pedalam em A’DAM

É bastante comum ver avós, avôs, mães e pais carregando seus netos e filhos nas bicicletas, mulheres e homens com roupas sociais, pessoas com cachorros, amigos e familiares, casais e tudo o que você possa imaginar. Flores, instrumentos de música, outras bicicletas, ferro velho, mochilas…Com criatividade, é possível carregar muita coisa/gente em cima de uma bicicleta.

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duas crianças se divertindo muito enquanto eram levadas por um adulto

Para além da diversidade de pessoas, é possível notar a pluralidade de formatos, tamanhos e cores das bicicletas de lá. É espetacular ver como as pessoas usam a imaginação para dar novas formas e coloridos às magrelas. No entanto, o mais comum é ver as famosas bicicletas holandesas (de uma marcha, guidão alto e quadro baixo).

Ciclo comércio

Você encontra locais para parar sua bicicleta desde os pontos de apoio ao turista, passando por supermercados, ‘padarias’, bares, médicos, hotéis e albergues, até museus e restaurantes caros.

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uma bicicleta que serve de stand com guias para turistas

Uma curiosidade inteligente, mas não exclusiva de Amsterdã ou da Holanda: os hotéis têm frotas enormes de bicicletas para emprestar a quem se hospeda neles. Para além dessa estrutura, é fácil notar como a logística urbana utiliza-se da bicicleta no seu dia a dia. Amsterdã é, como várias, uma cidade abastecida com a magrela.

Estruturas para facilitar a vida do ciclista

Uma cidade amiga do ciclista demonstra isso em pequenos detalhes que facilitam o cotidiano de quem optou pela bicicleta. Em várias das escadas de lá, existem estruturas que tornam mais simples o deslocamento com a magrela.

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facilidade para ciclistas encontrada em várias escadas das cidades

Bicicletas roubadas

É impossível falar de Amsterdã sem comentar das bicicletas e peças furtadas*. Lá, o comércio de cadeados é quente, por conta do alto índice de furtos. U-locks e correntes grossas são os mais usados. Por todo lado, é possível encontrar rodas e quadros sem o resto da bicicleta. Como consequência (ou/e causa, depende do ponto de vista), existe um forte comércio ciclístico ‘paralelo’ na cidade.

Se a pessoa for pega tentando comprar uma bicicleta roubada ela pagará uma multa de 160 euros.

*Certa vez ouvi que existe a diferença legal entre furto e roubo. O que acontece em Amsterdã é que as bicicletas e peças são levadas sem o dono ver.

Algumas observações sobre a circulação de bicicletas na cidade

Legalmente, as bicicletas podem virar à direita com o sinal fechado para os demais modos de transporte. Essa medida, cada dia mais presente em cidades mundo afora, tem por objetivo agilizar o deslocamento do ciclista. Funciona bem e não gera nenhum tipo de conflito com outros modos de transporte e entre ciclistas.

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para bicicletas e uma intervenção nela

Capacetes…Bom…Se eu vi mais de cinco (em adultos), em três dias, foi muito. Para mim, o não uso do capacete é mais um bom indicador sobre como as pessoas encaram a bicicleta naquele local: um veículo seguro e simples de se usar. Quem pilota as mopeds não é obrigado a usar (e não usam) capacete também.

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botão em vários semáforos para ciclistas e pedestres

Boa parte dos semáforos (sinais) da cidade possuem um botão para ciclistas e pedestres apertarem sinalizando que querem que ele fique verde para si.

É interessante, mas é possível que simbolize a prioridade de quem circula nas vias principais (via de regra automóveis e motos) sobre quem anda a pé ou pedala. Digo “é possível” porque eu teria de fazer uma análise mais aprofundada sobre quando esse sistema foi implementado, sua função, estudar o tempo dos sinais e etc.

Barca tarifa zero!

A capital holandesa é dividida por um rio. Para se chegar a Amsterdã do Norte, uma área com vários grandes prédios (inclusive um da Shell), existe a possibilidade de fazer o trajeto em duas barcas que se revezam e saem a cada dez minutos. O melhor disso: a travessia é gratuita. Pessoas caminhando, ciclistas, mopeds e scooters, pequenos carros e vários outros modos de transporte que não ocupam muito espaço podem entrar na barca.

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barca com tarifa zero levando pessoas, bicicletas, scooters e pequenos carros (muito pequenos, mesmo)

Sistema público de bicicletas compartilhadas

Décadas depois do nascimento da ideia (não os sistemas) de bicicletas compartilhadas em Amsterdã, a cidade, agora, possui um sistema moderno e público de bicicletas compartilhadas cuja administração é da companhia de trens da Holanda. A razão do sistema existir em Amsterdã é simples: com uma grande malha ferroviária espalhada pelo país, era preciso dar possibilidade às pessoas de continuarem seus trajetos até onde os trilhos não acessavam. As bicicletas foram escolhidas para tal função.

Amsterdã está longe de ser uma cidade sem defeitos…

Nem tudo é incrível na capital holandesa. O percentual de deslocamentos feitos por automóvel na cidade é quase tão alto quanto o de bicicleta (+- 30%), mas esse número já foi de 39% nos anos 1990 e continua a cair nos dias de hoje. Na cidade, o carro é muito utilizado para deslocamentos cujas distâncias são superiores a 2,5km. Quando elas são maiores que 7,5km, o percentual de viagens feitas de carro a 41%. Para distâncias entre 15 e 20km, esse número chega a quase 70%.

No entanto, como Amsterdã é uma cidade relativamente pequena em termos territoriais, é importante ressaltar que os deslocamentos dentro da cidade são feitos, em sua maioria, de bicicleta, a pé, tram (ou VLT), metrô e ônibus.

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veículo estacionado na ciclovia (ou ciclofaixa, no conceito brasileiro)

Se comparada as demais cidades do país, a capital holandesa não está entre as com maiores índices de pessoas utilizando bicicleta. Amsterdã ainda tem inúmeros desafios (melhorar as estruturas para ciclistas). Ainda é preciso ter atenção ao se pedalar pelas ruas de A’DAM. Um bom termômetro para essa afirmação é o fato das crianças de Amsterdã ainda não poderem pedalar de forma segura, tranquila e independente, como em outras partes do país. No entanto, esse fato gera cenas maravilhosas: avós, avôs, mães, pais, tios e pessoas mais velhas carregando crianças e bebes em bicicletas de inúmeros tipos, cores, tamanhos e modelos.

Um outros problema na cidade é o compartilhamento das pistas cicláveis entre bicicletas e mopeds/scooters. Lá, o uso comum entre bicicletas e scooters funciona em três níveis:

1) Há pistas em que as mopeds e scooters podem andar junto com as bicicletas (e bicicletas elétricas);
2) Outros locais permitem apenas as mopeds e as bicicletas;
3) Há áreas em que só as bicicletas podem circular.

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sinalização para bicicletas e mopeds

Segundo dados do site Bicycle Dutch, o número de mopeds na cidade cresceu 275% nos últimos seis anos. Em 2007 eram 8.000. Em 2013 já contabilizavam 30.000. O problema do compartilhamento entre bicicletas e scooters/mopeds está diretamente relacionado à segurança. Aproximadamente 81% dos condutores desses veículos trafegam acima dos limites de velocidade estabelecidos para eles (25km/h para mopeds e 45km/h para scooters).

Todavia, esse problema pode estar com os dias contados. Recentemente, o Ministro do Transporte enviou uma carta ao “parlamentares” holandeses afirmando que irá mudar a legislação local e que a nova redação permitirá aos governos locais recolarem as mopeds junto com os carros, mediante regulamentação do uso do capacete (atualmente, os condutores desse veículo não precisam usar capacetes). Dessa forma, o ministro afirmou que espera criar espaço suficiente para acomodar o crescente número de ciclistas no país.

Caminhar em Amsterdã? Cada vez menos comum…

Quando é para se deslocar em até 500m, a maior parte das pessoas em Amsterdã caminham (+- 95%) e a até 1km, esse percentual é de 80%. No entanto, caminhar em Amsterdã não é das tarefas mais simples, por conta do alto número de bicicletas, scooters, motos, trams, ônibus, carros e outros motorizados circulando por espaços disputados. Ao pedestre, em vários locais da cidade, restam alguns centímetros de calçadas.

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é comum ver motoristas parados em ciclovias e calçadas de Amsterdã

Nas duas últimas décadas, os deslocamentos feitos a pé em Amsterdã têm sido menos frequentes e atualmente correspondem a apenas 20% dos deslocamentos diários. Esse fato tem preocupado os gestores locais, que já estão reagindo com a remodelagem da cidade para que ela tenha mais espaço para os pedestres, de forma exclusiva ou compartilhada com outros modos de transporte.

De forma geral, as calçadas de Amsterdã são boas e possuem os parâmetros mínimos para incluírem pessoas com deficiência. Um transporte comum por lá são carrinhos para pessoas obesas, idosas ou com dificuldade de locomoção. Neles, elas saem para fazer suas tarefas cotidianas de forma independente e eficiente. É possível ver vários deles estacionados próximos a prédios e casas.

Os barcos de Amsterdã…

Andar em Amsterdã de barco lhe permite ter uma compreensão interessante de como a cidade foi planejada para crescer, há séculos atrás, usando a água como base para produção, consumo e abastecimento de bens e serviços. É impressionante a eficiência e a conexão dos mais de 100km de canais com os demais modos de transporte e com a vida, diurna e noturna, que pulsa nessa linda cidade holandesa.

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do barco, vista do maior estacionamento de bicicletas da cidade

Algumas outras fotos dessa viagem pela capital holandesa podem ser vistas no link: https://www.flickr.com/photos/127473561@N03/sets/72157648179390084.

Texto originalmente postado em Mobilize Europa.

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La Patrimoine – Onde a bicicleta liga o presente ao passado francês

Antes mesmo de contar como foi o passeio, vamos descrever em linhas gerais do que se trata… La Patrimoine é um passeio ciclístico anual que acontece todo mês de setembro desde o ano 2010 nos arredores da capital francesa. Ele reúne ciclistas apaixonados por bicicletas antigas que gostam de trocar experiências, pedalar em conjunto, conversar fiado e, ao final disso, comer bem e tomar uma cerveja artesanal e local. Os organizadores se inspiraram no evento italiano l’Eroica que reúne apaixonados por bicicletas vintage e competidores profissionais e semi-profissionais. Em 2014 rolou a 4ª edição, tivemos o prazer de estar presentes e vamos compartilhar um pouco dessa incrível experiência.

A ida

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Plataforma para ajudar os ciclistas a subirem com suas bicicletas

5:30 – toca o despertador. Hora de acordar e se arrumar para o tão esperado passeio. “Mineiro não perde o trem”: como ficamos com medo de atrasarmos e perdermos a largada, saímos de casa bem cedinho. Pedalamos até a Gare Saint Lazare, uma grande estação de trem na região central de Paris. Ali pegamos um RER (tipo de trem) para a cidade de Tournan en Brie, cidade próxima a Favières, onde aconteceria o evento.

Ao chegarmos à estação, compramos as passagens e descemos as escadas com as bicicletas até a plataforma do trem.

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Ferdinand e as bicicletas no RER

Em poucos minutos foram chegando vários ciclistas com trajes antigos de competidores, penteados elaborados, bigodes enormes, e, como não poderia ser diferente, bicicletas vintage. Embora não fosse obrigado, todos estavam vestidos à caráter para o passeio. Trocamos ideias, fizemos novas amizades, contamos casos e particularidades sobre nossas bicicletas e falamos um pouco de Brasil. Embarcamos. Éramos mais de vinte ciclistas espalhados pelo trem. Apenas no nosso vagão, havia mais de dez e uma criança – Ferdinand, simpático e tímido.

Colocamos as bicicletas facilmente, uma apoiando a outra para não cair. A viagem durou aproximadamente uma hora. Pedalamos mais três quilômetros até Favières, onde estavam concentrados os demais ciclistas.

O passeio

Há dois percursos no La Patrimoine: um grande, de cerca de sessenta e sete quilômetros e um pequeno, de vinte quilômetros. Escolhemos o pequeno, pois não sabíamos como andava nossa resistência e estávamos estreando nossas bicicletas novas, que não são  tão novinhas assim (décadas de 70 e 80).

Ao chegarmos na concentração, fizemos o registro e pegamos nosso kit: bolsinha de pano contendo uma placa de identificação para colocar na bicicleta e uma ficha com espaço para carimbar durante as etapas do percurso.

Como dissemos previamente, a inscrição custou 16 euros por pessoa e nos deu direito ao kit mencionado, ao cafezinho antes da pedalada, a um lanchinho no trajeto (pitstop), a um aperitivo e petiscos depois do passeio e um almoço completo (sem opção específica para vegetarianos, mas podemos comer bem).

O percurso de vinte quilômetros foi tranquilo e agradável. O dia estava lindo, ensolarado e a brisa fresca. O trajeto não possui grandes subidas, o que permite iniciantes e crianças pedalarem sem dificuldades – e foi o caso. As paisagens eram maravilhosas. Cruzamos por vários grupos de ciclistas que estavam treinando em pelotões de 10, 20, 30 pessoas. Embora a maior parte do trajeto tenha sido em uma avenida ou “BR”, os motoristas, em sua totalidade, respeitavam as pessoas que estavam nestas vias com suas bicicletas.

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Participantes do evento socializando

No caminho, paramos em uma feira de antiguidades ao lado de uma igreja medieval e fizemos um lanchinho no pitstop. Os participantes podiam sair, dar uma volta na feira e voltar para o grupo. Durante a parada, os ciclistas, que em sua maioria ja se conheciam, aproveitam o momentos para bater papo e colocar em dia as conversas.

Após um percurso cíclico, chegamos no local da concentração e aproveitamos o aperitivo. Almoçamos logo em seguida em grandes mesas de refeitório. Foi interessante essa disposição das mesas, pois assim, todos comem juntos, as pessoas que não se conhecem sentam perto umas das outras, fazem contatos, trocam ideias e fazem novas amizades.

O concurso e o sorteio de brindes

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Momento do concurso

Depois do almoço houve a entrega dos prêmios para os ciclistas que mais capricharam no visual e que possuíam as bicicletas mais bonitas. Foi um momento muito agradável, de muita brincadeira, zueira, risadas e muita animação. Todo mundo ansioso e curioso na entrega dos prêmios e mais ainda no momento do sorteio. As crianças que participaram ganharam um boné de ciclista. Foi muito legal ver esse estímulo à quem está começando a vida e as pedaladas. Ao final, rolou o sorteio de uma Peugeot vermelha, toda original, da década de 60. Linda.

A volta

Tivemos de um dia muito agradável e feliz, mas era hora de voltar para casa. Depois de muita farra, o grupo foi se dissolvendo pouco a pouco. Entramos em um bonde que estava voltando para a estação em Tournan en Brie para pegarmos o trem de volta para Paris.  Como na ida, o trem estava cheio de ciclistas cansados depois de um dia de pedal, festa e vivência coletiva. Como não poderia ser diferente, o trajeto de trem, na volta, também durou uma hora mais ou menos. Chegamos em Paris, na estação Saint Lazare, e pedalamos de volta para casa.

Obs: na França, a maior parte dos trens intermunicipais e internacionais aceitam bicicletas. As condições para cada tipo de trem é diferente, mas, via de regra, a magrela pode lhe acompanhar na viagem sem o menor risco de ter um câmbio, pedal, guidão ou outra parte danificada.

VÍDEOS DO PASSEIO:

 

Saiba mais acessando o Facebook do evento. Mais fotos podem ser vistas no Flickr e no Google +.

Esse texto é assinado por Guilherme Tampieri e Renata Aiala.

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Lançado Guia digital gratuito com dicas para viajar de bicicleta!

O site Até Onde Deu pra Ir de de Bicicleta lançou o Guia para Viajar de Bicicleta – Vol. 1.

Viajar de bicicleta (cicloturismo) é um dos prazeres que tenho na vida. Seja sozinho ou em pequenos grupos, usar a bicicleta para se locomover entre cidades, estados, países é uma experiência magnífica e que me proporciona momentos de autoconhecimento que, possivelmente, eu jamais encontraria em outro modo de transporte.

O Guia, lançado hoje (5/12), está em formato de PDF e 100% aberto para downloads.

Um dos pontos altos do Guia é a redação direta e de fácil leitura, além de fotos ilustrativas sobre o conteúdo. São 40 páginas divididas em algumas seções que contemplam o que uma pessoa precisa saber, na teoria, sobre como viajar de bicicleta por aí. Você encontrará boas informações lá.

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Crédito: Até Onde Deu pra Ir de Bicicileta

Algumas delas:

  • Não é preciso ser um atleta para desfrutar desse prazer barato, simples e delicioso que é fazer cicloturismo.
  • Os vários custos que se pode ter em uma viajar com a magrela. Pode sair barato ou caro. Vai depender das suas escolhas.
  • O que uma bicicleta precisa ter, minimamente, para fazer uma viagem* e como prepará-la para tal.
    *nem toda bicicleta aguenta uma viagem.
  • Como se planejar para viajar com a magrela, 7 roteiros clássicos de cicloturismo (6 no Brasil e um na Europa) e como montar o seu próprio roteiro.
  • O que levar em uma viagem de bicicleta (fundamental!) e algumas dicas para transportar sua bagagem.
  • Como embalar a sua bicicleta e transportá-la em ônibus, aviões, trens e embarcações.

Ao final, o Guia apresenta uma tabela contendo itens que são indicados para se levar em cada uma dos compartimentos que uma bicicleta pode carregar e dicas de quais equipamentos para levar sua carga você pode incluir em cada tipo de viagem que fizer. Vale a pena conferir o guia. Clique aqui e baixe-o diretamente do site Até Onde Deu pra Ir de Bicicleta.

Uma boa notícia: será feita uma segunda edição, o Volume II, contendo como se preparar fisicamente, dicas de segurança, alimentação, hospedagem e muito mais.

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La Patrimoine – Onde a bicicleta liga o presente ao passado

Antes mesmo de contar como foi o passeio, vamos descrever em linhas gerais do que se trata… La Patrimoine é um passeio ciclístico anual que acontece todo mês de setembro desde o ano 2010 nos arredores da capital francesa. Ele reúne ciclistas apaixonados por bicicletas antigas que gostam de trocar experiências, pedalar em conjunto, conversar fiado e, ao final disso, comer bem e tomar uma cerveja artesanal e local. Os organizadores se inspiraram no evento italiano l’Eroica que reúne apaixonados por bicicletas vintage e competidores profissionais e semi-profissionais. Em 2014 rolou a 4ª edição, tivemos o prazer de estar presentes e vamos compartilhar um pouco dessa incrível experiência.

A ida

5:30 – toca o despertador. Hora de acordar e se arrumar para o tão esperado passeio. “Mineiro não perde o trem”: como ficamos com medo de atrasarmos e perdermos a largada, saímos de casa bem cedinho. Pedalamos até a Gare Saint Lazare, uma grande estação de trem na região central de Paris. Ali pegamos um RER (tipo de trem) para a cidade de Tournan en Brie, cidade próxima a Favières, onde aconteceria o evento.

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Foto: Guilherme Tampieri

Ao chegarmos à estação, compramos as passagens e descemos as escadas com as bicicletas até a plataforma do trem. Em poucos minutos foram chegando vários ciclistas com trajes antigos de competidores, penteados elaborados, bigodes enormes, e, como não poderia ser diferente, bicicletas vintage. Embora não fosse obrigado, todos estavam vestidos à caráter para o passeio. Trocamos ideias, fizemos novas amizades, contamos casos e particularidades sobre nossas bicicletas e falamos um pouco de Brasil. Embarcamos. Éramos mais de vinte ciclistas espalhados pelo trem. Apenas no nosso vagão, havia mais de dez e uma criança – Ferdinand, simpático e tímido. Colocamos as bicicletas facilmente, uma apoiando a outra para não cair. A viagem durou aproximadamente uma hora. Pedalamos mais três quilômetros até Favières, onde estavam concentrados os demais ciclistas.

O passeio

Há dois percursos no La Patrimoine: um grande, de cerca de sessenta e sete quilômetros e um pequeno, de vinte quilômetros. Escolhemos o pequeno, pois não sabíamos como andava nossa resistência e estávamos estreando nossas bicicletas novas, que não são  tão novinhas assim (décadas de 70 e 80).

Ao chegarmos na concentração, fizemos o registro e pegamos nosso kit: bolsinha de pano contendo uma placa de identificação para colocar na bicicleta e uma ficha com espaço para carimbar durante as etapas do percurso.

Como dissemos previamente, a inscrição custou 16 euros por pessoa e nos deu direito ao kit mencionado, ao cafezinho antes da pedalada, a um lanchinho no trajeto (pitstop), a um aperitivo e petiscos depois do passeio e um almoço completo (sem opção específica para vegetarianos, mas podemos comer bem).

O percurso de vinte quilômetros foi tranquilo e agradável. O dia estava lindo, ensolarado e a brisa fresca. O trajeto não possui grandes subidas, o que permite iniciantes e crianças pedalarem sem dificuldades – e foi o caso. As paisagens eram maravilhosas. Cruzamos por vários grupos de ciclistas que estavam treinando em pelotões de 10, 20, 30 pessoas. Embora a maior parte do trajeto tenha sido em uma avenida ou “BR”, os motoristas, em sua totalidade, respeitavam as pessoas que estavam nestas vias com suas bicicletas.

No caminho, paramos em uma feira de antiguidades ao lado de uma igreja medieval e fizemos um lanchinho no pitstop. Os participantes podiam sair, dar uma volta na feira e voltar para o grupo. Durante a parada, os ciclistas, que em sua maioria ja se conheciam, aproveitam o momentos para bater papo e colocar em dia as conversas.

Após um percurso cíclico, chegamos no local da concentração e aproveitamos o aperitivo. Almoçamos logo em seguida em grandes mesas de refeitório. Foi interessante essa disposição das mesas, pois assim, todos comem juntos, as pessoas que não se conhecem sentam perto umas das outras, fazem contatos, trocam ideias e fazem novas amizades.

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Foto: Renata Aiala

O concurso e o sorteio de brindes

Depois do almoço houve a entrega dos prêmios para os ciclistas que mais capricharam no visual e que possuíam as bicicletas mais bonitas. Foi um momento muito agradável, de muita brincadeira, zueira, risadas e muita animação. Todo mundo ansioso e curioso na entrega dos prêmios e mais ainda no momento do sorteio. As crianças que participaram ganharam um boné de ciclista. Foi muito legal ver esse estímulo à quem está começando a vida e as pedaladas. Ao fina, o sorteio de uma Peugeot vermelha, toda original, da década de 60. Linda.

A volta

Tivemos de um dia muito agradável e feliz, mas era hora de voltar para casa. Depois de muita farra, o grupo foi se dissolvendo pouco a pouco. Entramos em um bonde que estava voltando para a estação em Tournan en Brie para pegarmos o trem de volta para Paris.  Como na ida, o trem estava cheio de ciclistas cansados depois de um dia de pedal, festa e vivência coletiva. Como não poderia ser diferente, o trajeto de trem, na volta, também durou uma hora mais ou menos. Chegamos em Paris, na estação Saint Lazare, e pedalamos de volta para casa.

Obs: na França, a maior parte dos trens intermunicipais e internacionais aceitam bicicletas. As condições para cada tipo de trem é diferente, mas, via de regra, a magrela pode lhe acompanhar na viagem sem o menor risco de ter um câmbio, pedal, guidão ou outra parte danificada.

Saiba mais acessando o Facebook. Mais fotos podem ser vistas no Flickr e no Google +.

Esse texto é assinado por Guilherme Tampieri e Renata Aiala.

Texto originalmente postado em http://bikeelegal.com/noticia/1609/la-patrimoine-%E2%80%93-onde-a-bicicleta-liga-o-presente-ao-passado.

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