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#LutarNãoÉCrime! Em apoio a quem pedala em Fortaleza, saiamos às ruas!

O que para você vale (um)a pena?

É fato que o Brasil vive um momento em que o conservadorismo político e social está, mais do que antes, exposto, escancarado, sem vergonha. Ou melhor, parafraseando nosso nobríssimo possível futuro prefeito de São Paulo, o sábio Datena, o Brasil é o país da moda. E nada mais na moda do que ser de direita. Com posições tão evoluídas quanto as aplicadas no Irã ou na Rússia, uma parcela da sociedade brasileira resolveu expor sua vontade de parar no tempo. Ou melhor, de voltar 51 anos, ou um pouco mais.

Nesse movimento, estão também instituições públicas, com seus regimentos internos e regras da década de 20 debaixo do braço. Esse é o caso da prefeitura de Fortaleza, com relação às intervenções feitas por ciclistas locais que estão em busca de democratizar o espaço urbano.

Para compreensão, um pouco da história

Fortaleza se tornou mais uma referência nacional no que tange às intervenções diretas para promoção do uso da bicicleta enquanto modo de transporte. Como? Há algum tempo, ciclistas locais pintaram o que temos chamado de “ciclofaixas cidadãs”.

Na palavra de Celso Sakuraba, integrante da Ciclovida (associação de ciclistas locais), “em 2013, participantes da Massa Crítica Fortaleza pintaram uma ciclofaixa cidadã na Rua Ana Bilhar. O vídeo realizado pelo Verso de Pé Quebrado  foi um três mais vistos no Youtube brasileiro naquele dia. A repercussão foi tamanha que a atual gestão da Prefeitura se viu pressionada a começar a realizar ações para ciclistas, começando com uma ciclofaixa oficial na mesma Rua Ana Bilhar.

Na busca pela continuação desse processo cidadão de construção e desenvolvimento urbano, a Massa Crítica Fortaleza saiu às ruas novamente para pintar, dessa vez, uma ciclofaixa e também uma faixa compartilhada entre ônibus e bicicletas (muito comum nas cidades que nossos prefeitos adoram viajar para conhecer – Paris, Amsterdã, Copenhague, Bruxelas, etc).

Jpeg

Em Paris

Claro que, nesse momento, esse ato de vandalismo e destituição dos valores morais da sociedade de bem brasileira não poderia passar em branco pelos agentes públicos. É preciso dar uma resposta à altura de tamanha afronta! Como não poderia deixar de ser, a Prefeitura de Fortaleza, através da sua Autarquia Municipal de Trânsito e Cidadania (AMC) (cof,cof), apresentou notícia-crime à Delegacia de Trânsito, que decidiu investigar essas ações, qualificando-as como usurpação de função pública.

Parênteses

No Brasil, a cidade de Curitiba ficou conhecida por fazer o mesmo movimento (pintar ciclofaixas cidadãs) e também por ter os responsáveis pela pintura acionados judicialmente. Veja mais sobre esse processo na matéria do jornalista Alexandre Costa Nascimento do site Ir e Vir de Bike.

Em Belo Horizonte, pessoas fizeram essa intervenção em um viaduto da cidade com fluxo alto de bicicletas e sem nenhuma segurança para quem pedala no local.

Intervenção feita em Belo Horizonte

Intervenção feita em Belo Horizonte

A contra-resposta veio…e em nível nacional!

A Massa Crítica de Fortaleza deu uma resposta precisa à prefeitura da cidade, através de uma nota de Repúdio (abaixo). Além disso, as pessoas envolvidas com a promoção da bicicleta da cidade fizeram um chamado nacional para apoio. Diversas organizações, coletivos sociais e pessoas já estão dando apoio a Fortaleza. E você?
Não sabe como apoiar? Algumas sugestões dadas pelo Celso Sakuraba:

– Compareçam à Bicicletada/Massa Crítica de suas cidades com cartazes em apoio a Fortaleza (normalmente na última sexta-feira do mês. Ou seja, a próxima!)

– Utilizem a hashtag #LutarNãoÉCrime

– Proponham nos canais de comunicação das Massas Críticas o estabelecimento do tema da Bicicletada como Contra a Criminalização dos Movimentos Sociais.

Obrigado, ciclistas de Fortaleza por fazerem valer a pena!

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NOTA PÚBLICA – SE A PREFEITURA NÃO FAZ, O POVO FAZ

Contra a Criminalização da Massa Critica Fortaleza e outros movimentos

Manifestação: www.facebook.com/events/1034895659875204/

Nessa segunda-feira em entrevista à radio Band News FM, foi noticiado que a Autarquia Municipal de Trânsito (AMC) entrou com notícia crime contra a ação feita pelo Massa Crítica Fortaleza na Av. Domingos Olímpio e 13 de Maio. O delegado da Delegacia de Acidentes e Delitos de Transito (DADT) instaurou inquérito para investigar. Assim a AMC age como inimiga dos ciclistas. Consideramos no mínimo irônico que tal queixa tenha sido prestada por este órgão, que representa um modelo carrocrata e ultrapassado de mobilidade humana. Um órgão que durante toda a sua existência nunca tenha feito nada em prol do ciclismo urbano em nossa cidade, que não desempenha seu papel de forma eficiente fiscalizando os desrespeitos às ciclofaixas, que nunca tenha aplicado uma única multa a motoristas que não respeitam a distância mínima para ultrapassar ciclistas, e nunca tenha investido um centavo sequer em campanhas de educação e respeito aos ciclistas. Eles dizem que nossas ações estão usurpando a função do poder público, o mesmo que durante décadas prometeu e nunca fez uma única ciclofaixa na cidade. Nós dizemos que nossas ações foram aquilo que motivou, por pressão popular, que a prefeitura passasse a fazer ciclofaixas e a olhar para o ciclismo urbano como uma forma de política pública. A representatividade está falida, por isso precisamos lutar também por mecanismos de empoderamento e participação popular. Ações como as da Massa Crítica tem sido, muitas vezes, a única forma que temos de exigir respeito aos ciclistas, de preservar nossa segurança e dialogar de forma eficiente com a população, mostrando o que realmente poderia ser feito na prática em termos de estrutura cicloviária. A instalação de ciclofaixas cidadãs mostrou-se adequada às necessidades nos lugares onde nosso grupo apontou. Sendo o entrave pra implementação apenas boa vontade da parte do poder público. Falaram que colocamos a segurança dos ciclistas em risco com essas intervenções. Porém, na Av. Domingos Olímpio, por exemplo, a omissão do estado em oficializar o compartilhamento da via e treinar os motoristas é o que coloca em risco milhares de pessoas diariamente. É importante ter a clareza de que, mesmo com as recentes ciclofaixas implementadas, estamos muito aquém de uma mínima estrutura para ciclistas. Assim como o prazo de 15 anos para a conclusão do Plano Diretor Cicloviário Integrado (PDCI) é uma afronta aos ciclistas da cidade. Há muito o que lutar. Continuaremos na rua, continuaremos na luta! Querem dizer que somos criminosos. Nós dizemos que criminosos são eles, que sempre negligenciaram a segurança de quem escolheu a bicicleta como meio de transporte. A mensagem do estado é clara: não lutem por seus direitos, apenas votem e esperem passivamente a boa vontade das autoridades. Nossa mensagem também é clara: só a luta muda a vida.

APOIE O MASSA CRÍTICA E VENHA PARA BICICLETADA!

EXIGIMOS A RETIRADA DA NOTÍCIA CRIME PELA AMC!

Dada a seriedade do ocorrido, convocamos a todos a participar de uma manifestação contra a criminalização do Massa Crítica e dos movimentos sociais, no dia 28/08, na Praça da Gentilândia, a partir das 17:00h com saída às 18:30h. Convocamos também todas as Massas ao redor do mundo a unir-se a nós em solidariedade.

Vamos juntxs!

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Conheça o RAMC – Ranking das Administrações Municipais Cicloamigas

A produção, coleta, sistematização e divulgação de dados relativos ao uso da bicicleta é um instrumento importante para a contribuir para o fomento deste modo de transporte. Cidades mundo afora que são referências no que tange à política pública da ciclomobilidade, via de regra, têm sólidas bases de dados sobre o uso da bicicleta, seja na gestão pública ou na sociedade civil.

Acreditando que esse é um bom caminho a ser seguido, a União de Ciclistas do Brasil – UCB está criando o RAMC – Ranking das Administrações Municipais Cicloamigas, um projeto que se iniciou em um dos grupos de trabalho da UCB.

RAMK VF

Através da criação e alimentação deste ranking, em âmbito nacional, a UCB acredita que será capaz de iniciar uma consolidação sobre algo que, de fato, ninguém sabe: como estão as administrações públicas no que tange à promoção do uso da bicicleta pelo país?

O grande o objetivo do RAMC é ter, anualmente, uma avaliação sobre as gestões municipais Brasil afora no que diz respeito a, inicialmente, 21 indicadores criados e/ou criados pela UCB no que diz respeito às ações voltadas para a promoção do uso da bicicleta e mais a frota e a população da cidade. Esses indicadores possuem pesos distintos e estão divididos em cinco áreas [Infraestrutura, Recursos Humanos, Planejamento, Promoção e Informação].

Boa parte dos indicadores contidos no RAMC foi criada a partir da análise, cruzamento e sistematização de vários dados municipais relativos à ciclomobilidade, cada qual com seu peso.

O projeto será executado de forma colaborativa, ou seja, contará com ciclistas e interessados na bicicleta como modo de transporte para alimentar a base de dados e dar mais relevância ao índice final que será consolidado quando a UCB tiver os dados de, pelo menos, uma cidade por estado.

No página do projeto, é possível encontrar a planilha com os indicadores a serem preenchidos e um modelo de carta a ser enviado às prefeituras para obter as informações. A UCB também recomenda que os cidadãos interessados em contribuir façam uso da Lei de Acesso à Informação para ter acesso ao dados. Uma observação: a planilha contém instruções de como preencher os dados.

Participe da execução do RAMC e saiba mais detalhes acessando o site: http://www.uniaodeciclistas.org.br/atuacao/ramc/. Com a sua colaboração, a UCB fará com que os brasileiros, ciclistas ou não, tenham mais conhecimento sobre como as gestões públicas estão se comportando quando o assunto é a bicicleta como modo de transporte.

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(mais) um Ted que vale a pena ver

Clarisse Linke, no TEDxRio, fala um pouco sobre como as cidades se tornaram esse espaço de ausências e exclusões e reflete sobre como, através do planejamento e do ideal, devemos trabalhar para mudar esse momento da ditadura do automóvel, que ainda tende a se expandir [e muito], que o Brasil se encontra.

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Quanto mais PISEAGRAMA, melhor! PISE já!

Há algumas décadas, os governos decidiram pautar a construção das cidades pelo modelo rodoviarista, ou seja, modelo que prioriza a circulação de carros. Para tentar sustentar essa forma de desenvolvimento urbano, as cidades foram sendo redesenhadas e tomando a forma que elas têm hoje no Brasil: ruas cortando parques, áreas verdes e tudo o que for preciso, extensas e largas avenidas, anéis rodoviários, vias expressas, viadutos, trincheiras e todo tipo de obra que prevê a passagem dos motorizados.

Tudo isso, claro, causando degradação ambiental, desapropriação de milhares de cidadãos que tinham suas vidas estabelecidas e outros tantos problemas vindos desse tal progresso, que avança busca a expansão cotidianamente.

Como frear esse tipo de processo e iniciar um novo ciclo de desenvolvimento urbano?

Um bom instrumento é a informação de qualidade e o conhecimento por detrás dela. Tendo como base essa ferramenta, um grupo de cidadãos criou a PISEAGRAMA, uma revista que fala de espaços públicos consolidados, descontruídos, a serem explorados, imaginados, sonhados e co-realizados por pessoas em suas diversas possibilidades de organização social.

As publicações da revista misturam o passado, presente e futuro na busca por apresentar soluções práticas para a melhoria na qualidade de vida das nossas cidades, através do uso do bem comum e público, de instrumentos antissistêmicos, criativos e aplicáveis às nossas cidades.

A PISEAGRAMA foi uma das quatro revistas selecionadas no Edital Cultura e Pensamento, do Ministério da Cultura, e circulou por todo o Brasil em versão impressa e online. As edições que deram à revista a possibilidade de ser seleciada neste edital são: Acesso, Progresso, Recreio, Vizinhança, Descarte e Cultivo. Terminada a temporada dos seis primeiros números, a PISEAGRAMA está fazendo uma chamada ao financiamento colaborativo para continuar a abordar as questões do espaço público no Brasil.

Imagem: Piseagrama

Imagem: Piseagrama

Fonte: PISEAGRAMA

Porque você deveria apoiar a manutenção de uma revista?

A escassez de publicações no país que abordam o espaço público e façam discussões que extrapolam os limites políticos-partidários dos editorais ficou mais evidente no último ciclo eleitoral. Tendo o financiamento coletivo como pilar, é possível dar sustentabilidade financeira a projeto de forma a não depender de patrocinadores ‘ficha suja’. Com a nossa ajuda, também será possível ter mais quantidade da mesma qualidade.

Sendo bem sucedida no Catarse, a PISEAGRAMA reformulará seu site, que já possui as edições antigas da revista, que contará com opções para tradução, conteúdos audiovisuais, mapas interativos, infográficos e etc. Além disso, ajudaremos a PISEAGRAMA a consolidar sua rede de colaboradores e a atrair novos assinantes, gerando, para além do dinheiro, o público necessário para que a publicação se sustente e siga em frente para difundir mais conteúdo de boa qualidade mundo afora.

O que você ganhará apoiando ela?

Participando da iniciativa no Catarse, além de apoiador, você se tornará assinante da revista. Isso quer dizer que você receberá na sua casa as próximas duas edições da revista por um custo menor do que o da compra direta. Contribuindo com mais, você pode presentear amigos e receber, além das novas revistas, outros produtos PISEAGRAMA (bolsas, livros, adesivos).

Alcançando a meta de financiamento, contribuiremos para que a sociedade continue tendo uma publicação independente e sem amarras a qualquer instituição ou pessoa.

As cidades precisam de mais grama para pisar! PISEAGRAMA!

Clique aqui e apoie o projeto no Catarse.

Texto também publicado no Mobilize.org.

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