ATRAVESSEMOS UMA CRISE DE CADA VEZ!

A gente vive múltiplas crises, nesse momento – e antes dele também.

A crise de agora é humanitária, de saúde pública, econômica, social, política.

A capacidade humana tem limite, assim como nossa energia em fazer coisas. Então, vivamos uma crise por momento, sem deixar de compreender o quão interligadas elas estão, muitas vezes sendo causas e consequências umas das outras.

Aqui, quero falar de uma em específico: a crise climática, a maior de todas as que estamos passando – e passaremos.

Bom…Não é apenas uma crise, mas uma emergência.

Estamos no epicentro (talvez?) da pandemia do coronavírus, passando de 50 mil mortes por #COVID19. A atenção dos Chefes de Estado, Governardores, Prefeitos, indústrias, empresas, organizações, movimentos sociais e das pessoas, está majoritariamente em salvar vidas e conter o vírus. Ou deveria estar.

Ao fazermos isso, precisamos levar em consideração os infinitos efeitos colaterais, diretos (crise econômica, pessoas tristes e confinadas) e indiretamente ligados ao corona (melhoria da qualidade do ar nas cidades, aumento da violência doméstica…). E muita gente tem trabalhado para equilibrar as consequências, manter as coisas minimamente em funcionamento, desde esses mesmo líderes (responsáveis) até o invisível estoquista, caixa de supermercado, enfermeitos, médicas, jornalistas etc. Obrigado.

Nesse contexto de energia focada, decidiu-se adiar a #COP26 que seria realizada em 2020 para 2021.

O que é a COP*? A Conferência das Partes ou, em outras palavras, o rolé de todos os grantes líderes do mundo, é o momento deles discutirem, debaterem e dialogarem e, sobretudo, tomarem decisões, sobre questões ligadas ao clima no mundo. O ’26’ significa que é a vigésima sexta edição.

A decisão de adiar a COP é correta, uma vez que a maior parte da nossa energia está em lutar contra a crise mundial da saúde pública de agora. Todavia, o adiamento reduzirá a luz que deveria ser dada, por exemplo, às eleições dos EUA, que aconteceriam pouco antes da Conferência.

Por quê? Os EUA de Trump são o principal país do mundo a negar qualquer acordo climático robusto, com capacidade de reduzir as consequências, e danos, das mudanças que nosso climá está tendo. A não reeleição de Trump pode abrir portas para um mundo onde o diálogo e a ação serão possíveis, com participação dos EUA, um dos principais emissores de gases causadores do efeito estufa do mundo**. Mas o diálogo em si é pouco. A emergência nos obriga, mundialmente, a termos um acordo que será cumprido por todas as partes, cada qual com suas responsabilidades (comuns, porém diferenciadas).

Outro processo que pode ser ofuscado é a necessidade dos governos apresentarem seus Planos Climáticos até o final do ano, conforme compromisso firmado pelos países no Acordo de Paris (durante a COP 21, em Paris, na França, em 2014).

Ou seja, a #COP26 poderá ser ainda mais importante que a COP21, em Paris, uma vez que será realizada após um colapso mundial que, entre outras consequências, trouxe a redução significativa das emissões de gases causadores do efeito estufa, a partir da desaceleração da indústria, do trânsito de automóveis, aviões etc.

Naquele momento, em 2021, estaremos nos recuperando, ou ainda em, uma recessão econômica global. A diplomacia será peça chave para ousarmos continuar enviando toneladas e toneladas de gases de efeito estufa na atmosfera, intensificando os efeitos que vemos, e veremos, das mudanças do clima. E eles serão piores do que os do coronavírus, uma vez que podemos controlar o fluxo de pessoas, a indústria, mas não podemos controlar furacões, ondas de calor, chuvas intensas, entre outros.

Mas…Uma crise de cada vez.

Nos ocupemos de salvar as vidas, de ficarmos em casa com a saúde mental em boa condição. Como diz a música “Até o fim”, do Suricato, “cuidar de você é cuidar de mim”.

Cuidar de mim é, também, cuidar de você, nesse momento.

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*Cronologia e outras informações

Em 1988 foi criado o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climática (IPCC), com a missão de avaliar de maneira metodológica e objetiva, as informações científicas, técnicas e socioeconômicas sobre o clima publicadas em todo o mundo. Ele é o principal organismo internacional para avaliar as mudanças climáticas, pela diversidade de técnicos e cientistas, em diversas áreas de conhecimento, que estão distribuídos em grupos de trabalho temáticos.

Com a criação do IPCC, em 1988, inúmeros estudos foram realizados, incluindo o primerio relatório do IPCC, em 1990, um marco no campo das, então, mudanças climáticas.

Em 1995, foi realizada a primeira COP, em Berlim, na Alemanha.

**O efeito estufa é algo que acontece naturalmente na Terra. Com ele, a Terra mantém-se aquecida, possibilitando a vida humana por aqui. No entanto, as atividades humanas, especialmente pós Revolução Industrial, têm intensificado esse processo de aquecimento. As consquências desse aquecimento são muitas e distintas, a depender de qual ponto no globo terrestre estamos falando, mas todas elas têm em comum a alteração dos sistemas naturais (chuva, ventos, temperatura etc). As consequências, por sua vez, geram essa necessidade de “emergência climática”, por terem potencial devastador na vida humana.

Sem fim à vista para a pandemia provocada pelo novo coronavírus, as negociações da ONU sobre mudanças climáticas que oc

Conferência do clima da ONU é adiada para 2021 devido à pandemia de coronavírus

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